Filosofia

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  • Publicado : 16 de junho de 2011
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Liberdade e lei, autonomia e autodeterminacao.
 
Se a razão determina infalivelmente a vontade, as acções de um tal ser, que são conhecidas como objectivamente necessárias, são também subjectivamente necessárias, isto é, a vontade é a faculdade de escolher só aquilo que a razão, independentemente da inclinação, reconhece como praticamente necessário, quer dizer, como bom.
 
Mas a razão só porsi não determina suficientemente a vontade, se está sujeita a condições subjectivas ( a certos móbiles) que não coincidem com as objectivas; numa palavra, se a vontade não é em si plenamente conforme à razão ( como acontece realmente entre os homens) então as acções, que objectivamente são reconhecidas como necessárias, são subjectivamente contingentes, e a determinação de uma tal vontade,conforme a leis objectivas, é obrigação; quer dizer, a relação das leis objectivas para com a vontade não absolutamente boa representa-se como determinação da vontade de um ser racional por princípios da razão, sim, princípios esses a que essa vontade, pela sua natureza, não obedece necessariamente.
 
A representação de um princípio objectivo, enquanto obrigante para uma vontade, chama-se ummandamento ( da razão) e a fórmula do mandamento chama-se imperativo. Todos os imperativos se exprimem pelo verbo dever e mostram assim a relação de uma lei objectiva da razão para uma vontade que segundo a sua constituição subjectiva não é por ela necessariamente determinada ( uma obrigação).
 
Uma vontade perfeitamente boa estaria portanto igualmente sujeita a leis objectivas ( do bem) mas não sepoderia representar como obrigada a acções conformes à lei, pois que pela sua constituição subjectiva ela só pode ser determinada pela representação do bem. Por isso os imperativos não valem para a vontade divina nem, em geral, para uma vontade santa; o dever não está aqui no seu lugar, porque o querer coincide já por si necessariamente com a lei.
 
Por isso os imperativos são apenas fórmulas paraexprimir a relação entre leis objectivas do querer em geral e a imperfeição subjectiva deste ou daquele ser racional, da vontade humana por exemplo.
 
O imperativo categórico seria aquele que nos representasse uma acção como objectivamente necessária em si, sem relação com qualquer outra finalidade.
 
Por mais longe que a razão prática tenha o direito de nos conduzir, não consideraremos asacções obrigatórias por serem mandamentos de Deus; pelo contrário, considerá-las-emos mandamentos divinos porque nos sentimos interiormente obrigados a elas.
 
Estudaremos a liberdade subordinada à unidade final segundo princípios da razão, e apenas acreditaremos conformar-nos com a vontade divina quando considerarmos santa a lei moral que a razão ensina com base na natureza das próprias acções esomente acreditaremos servi-la, promovendo o bem do mundo em nós e nos outros. A teologia moral é, portanto, apenas de uso imanente, a saber, para cumprirmos o nosso destino neste mundo, adaptando-nos ao sistema de todos os fins, e não para abandonar, com exaltação e temeridade, o fio condutor de uma razão moralmente legisladora da boa conduta da vida, a fim de ligar imediatamente esta maneira de viverà ideia do Ser Supremo, o que daria um uso transcendente, mas que, tal como o da pura especulação, deve perverter e tornar vãos os fins últimos da razão.
 
A constituição de uma boa vontade:o dever e o sentimento de respeito.
 
Neste mundo, e até fora dele, nada é possível pensar que possa ser considerado como bom sem limitação a não ser uma só coisa: uma boa vontade. A boa vontade não é boapor aquilo que promove ou realiza, pela aptidão para alcançar qualquer finalidade proposta, mas tão-somente pelo querer, isto é em si mesma, e considerada em si mesma.
 
Para desenvolver, porém, o conceito de uma boa vontade altamente estimável em si mesma e sem qualquer intenção ulterior, vamos encarar o conceito de Dever que contém em si o de boa vontade. Uma acção praticada por dever tem...
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