Filosofia

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 9 (2237 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 25 de setembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
2. Os sofistas
Apesar de suas contradiçôes, o ideal democrático devia ser justificado. Coube aos
sofistas, no século V a.C., a função de elaborar a teorização que interessava
à nova classe dos comerciantes. E isso acontece no período clássico da história grega.
Como vimos na Primeira Parte do Capítulo 10, a divisão da filosofia grega está centralizada em Sócrates (470 -399a.Cà, e é a partir dele que se costuma
estabelecer os períodos pré-socrático, socrático (ou clássico) e pós -socrático.
O período clássico acontece nos séculos V e IV a.C. e dele faz pane, além de Sócrates, seu discípulo Platão, que por
sua vez foi o mestre de Aristóteles.
Os sofistas são contemporâneos de Sócrates e foram por ele duramente criticados.
Vimos que os primeirosfilósofos pré-socráticos preocupam-se sobretudo com a natureza, e as explicações
cosmológicas se desenvolvem emtorno da procura da
arché (princípio) de todas as coisas. Entre os primeiros filósofos não há textos referentes à política.
São os sofistas que irão proceder a passagem para a reflexão
propriamente antropológica, centrando suas atenções na questão moral e política. Elaboramteoricamente
e legitimam o ideal democrático da nova classe em ascensão, a dos comerciantes enriquecidos.
À virtude (areté) de uma aristocracia guerreira opõe -se a virtude do cidadão: a maior das virtudes é ajustiça, e todos,
desde que
cIdadãos da polis, devem
ter direito ao exercício do poder. Enquanto na aristocracia predomina a
areté ética, para o cidadão ela é política e maisobjetiva que a anterior, pois o critério
do justo e do injusto se acha na lei escrita.
Através da paideia5, os gregos elaboram a nova educação capaz de satisfazer os ideais do homem da pólis, e não mais
do aristocrata, superando, assim, os
privilégios da antiga educação, para a qual a areté só era acessível aos que pertenciam a uma linhagem de origem divina.
A exigência que ossofistas vêm satisfazer não é apenas de ordem teórica, mas tam
bem prática, voltada para a vida. Segundo Jaeger, historiador da filosofia, exercem por isso uma influência muito forte,
vinculandose à tradição educativa dos poetas
Homero e Hesiodo.
Os sofistas são os mestres da nova areti
política, e o instrumento desse processo será a
retórica, ou seja, a arte de bem falar, de utilizara linguagem em um discurso persuasivo.
É bem verdade que esse movimento não
se dirige ao povo em geral, mas a uma elite, àqueles bons oradores que poderiam, nas assembléias públicas, fazer uso da
palavra livre e pronunciar discursos convincentes
e oportunos. Com o brilhantismo da participação no debate público, deslumbram os jovens do seu tempo. Desenvolvem o
espírito crítico e afacilidade de expressão.
Com frequência os sofistas são acusados de superficialidade e logomaquia, ou seja, de pronunciar um discurso vazio,
um palavreado oco. Talvez essa fama se
deva a excessiva atenção dada por alguns deles ao aspecto formal da exposição e defesa das idéias, já que se achavam tão
preocupados com a persuasão. Mas também
é preciso lembrar que os sofistas sempre foram mal-interpretados devido às críticas que a eles fizeram Sócrates e Platão.
Só a partir do século XIX a imagem caricatural
dos sofistas foi atenuada.
Os mais famosos sofistas foram:
Protágoras, de Abdera (485-411 a.C.);
Górgias, de Leôncio, na Sicília (485 -380 a.C.);
Híppias, de Élis, e ainda Trasímaco, Pródico,
Hipódamos e outros.
Tal como ocorreu com os pré -socráticos,dos sofistas só nos restam fragmentos de suas obras, a lém das referências -
como
vimos, tendenciosas - feitas por filósofos posteriores.
3. O pensamento político de Platão
O pensamento político de Platão (428 -347 a.C.) está sobretudo nas obras A República e Leis. Em estilo agradável,
muitas vezes
poético e com recurso a alegorias, Platão escreve em diálogos, tendo...
tracking img