Filosofando

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## CAPITULO 28
CONCEPÇÕES ÉTICAS
A civilização científico-técnica confrontou todos os povos, naçã o, culturas com
suas tradições morais, culturais e grupais com suas respectivas especificidades.
Pela primeira vez na história da humanidade, os homens estão diante da tarefa prática de
assumir a responsabilidade solidária pelas consequências de suas ações ,
seguindo parâmetros de dimensõesplanetárias.
(K.-O. Apel)
1. Mito, tragédia e filosofia
Uma das características da consciência mítica é a aceitação do destino: os costumes dos ancestrais têm raízes no
sobrenatural; as ações humanas são determinadas
pelos deuses; em conseqUência, não se pode falar propnamente em comportamento ético, uma vez que falta a dimensão de
subjetividade que caracteriza o ato livre e
autônomo.
Aoanalisarmos a passagem do mito à razão no Capítulo 7 vimos como se deu o processo do advento da consciência
critica. Mas há um período intermediário caracterizado
pela consciência trágica que representa o momento em que o mito não foi totalmente superado e ainda não se firmou a
consciência filosófica.
A tragédia grega floresceu por curto período, e os autores mais famosos foram
Ésquilo(525-456a.C.), Sófocles (496-c.406a.C.) e Eurípedes (c.480-406a.C.).
O conteúdo das peças é retirado dos mitos, mas há algo de novo no tratamento que os autores - sobretudo Sófocles - dão
ao relato das façanhas dos heróis.
Tomemos por exemplo a tragédia Édipo -Rei de Sófocles. Nela conta-se que Laio, senhor de Tebas, soube pelo oráculo
que seu filho recém-nascido haveria um
dia de assassiná-lo,casando-se em seguida com a própria mãe. Por isso, Laio antecipa-se ao destino e manda matá-lo, mas
suas ordens não são cumpridas, e a criança
cresce em Lugar distante. Quando adulto, Édipo consulta o oráculo e ao tomar conhecimento do destino que lhe fora
reservado, foge da casa dos supostos pais
a fim de evitar o cumprimento daquela sina. No caminho desentende -se com um desconhecido - e o mata.Esse
desconhecido era, sem que Édipo sonhesse, seu verdadeiro
pai. Entrando em Tebas, casa com Jocasta, viúva de Laio, ignorando ser ela sua mã e. E assim se cumpre o destino.
Mesmo que Sófocles tenha tomado do mito o enredo da história, as figuras lendárias apresentam -se com
a face humanizada, agitam-se e questionam o destino. A todo momento emerge a força nova da vontade
que se recusa asucumbir aos desígnios divinos e tenta transcender o que lhe é dado com um ato de liberdade. E, mesmo
quando a intuição de Édipo lhe indica ser ele
próprio o assassino procurado em Tebas, leva o inquérito até o fim, como se estivesse em busca da própria identidad e ("O
dia de hoje te fará nascer e te matará").
Mas, se no final vence o irracional, Édipo não foi um ser passivo. E a tragédia consistejustamente na contradição entre
determinismo e liberdade, na luta
contra o destino levada a cabo pelo homem que surge como um ser de vontade. Quando no final Édipo se cega, diz:
"Apolo me culminou com os mais horrorosos sofrimentos.
Mas estes olhos vazios não são obra dele, mas obra minha".
A tentativa de reflexão retrata o logos nascente. Daí em diante a f ilosofia representará o esforço darazão em
compreender o mundo e orientar a ação.
2. A concepção grega de moral
No período clássico da filosofia grega, os sofistas rejeitam a tradição mítica ao considerar que os princípios morais
resultam de convençoes humanas. Embora
na mesma linha de oposição aos fundamentos religiosos, Sócrates se contrapõe aos sofistas ao buscar aqueles princípios
não nas convenções, mas na naturezahumana.
Inúmeros são os diálogos de Platão em que são descr itas as discussões socráticas a respeito das virtudes e da
natureza do bem. Resulta daí a convicção de
que a virtude se identifica com a sabedoria e o vício com a ignorância:
portanto, a virtude pode ser aprendida.
Na célebre passagem de A Repúbli ca em que Platão descreve o mito da caverna (ver Primeira Parte do Capítulo
10)...
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