Figurações do herói épico

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 34 (8488 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 8 de outubro de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
Literatura
Figurações do H erói Épico: de H omero a Sousândrade
Enéias Farias Tavares (UFSM)

Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar um estudo que perceba as relações temáticas na poesia do inglês John Milton (1562-1647) e do brasileiro Joaquim de Sousa Andrade (1832-1902), percebendo especialmente a caracterização do herói épico nos poemas O Paraíso Perdido e O Guesa Errante.Complementarmente, este estudo prevê um comentário da configuração desse novo modelo de herói em outros poemas do gênero épico anterior, como nos poemas de Homero, Virgílio, Dante e Camões. Nesse caso, observaremos como os dois poetas em questão alteram uma representação já canônica de um protagonista épico, modelo de uma série de características ideais da cultura que o produziu, para um protagonistarepleto de conflitos e imperfeições. Palavras-chave: Crítica Literária; John Milton; Sousândrade; herói épico. Abstract: This paper aims to present a study that understands the thematic relationship in English poetry of John Milton (1562-1647) and the Brazilian poetry of Joaquim de Sousa Andrade (1832-1902), noticing especially the characterization of the hero in the epic poems Paradise Lost and OGuesa Errante. In addition, this study provides a commentary on the configuration of this new type of hero in other earlier epic poems, such as the works by Homer, Virgil, Dante and Camões. In this case, we will observe how this two poets, Milton and Sousândrade, alter a canonical representation of an epic protagonist, model of a series of ideal characteristics from the culture that produced it, fora character with conflicts and imperfections. KEY-WORDS: Literary Criticism; John Milton; Sousândrade; epic hero 

Eutomia – Ano II, Nº 2 – Dezembro de 2009 

­ 1 ­ 

Milton e Sousandrade: poetas à margem de suas sociedades
Do ponto de vista biográfico, tanto Milton quanto Sousândrade foram poetas que viveram e publicaram suas grandes obras à margem. No caso do primeiro, apesar de umrelativo destaque durante o período Cromwell ou no sucessivo reinado de Charles II, a obra de Milton foi publicada sem grande destaque no fim de sua vida. Cego, de parcos recursos financeiros e sem voz política atuante, como nos anos de Cromwell, Milton dita os três grandes poemas finais, Paraíso Perdido, Paraíso Recuperado e Sansão Antagonista, para familiares. Mesmo tendo recebido um exageradoenaltecimento no Romantismo, sobretudo por sua personagem satânica, Milton continua a despertar a atenção da crítica, na maioria das vezes por seu viés político, cultural ou religioso. No Brasil, excetuando a tradução portuguesa de mais de um século dO Paraíso Perdido, sua grande obra permanece ainda inédita no país. No caso de Sousândrade, essa marginalidade, social e artística, não se dá apenas pelopoeta publicar sua obra inicial em Maranhão, mas também por sua temática e estilo contrastante a proposta nacionalista do romantismo. Nomeado pelos irmãos Campos de “terremoto clandestino”, o “à margem” de Sousândrade deu-se também pelos comentadores literários do período posterior que, incapazes de perceber a obra do poeta, o classificam como um mestre do “frasear pomposo”, como no caso de JoséVeríssimo, ou o poeta que de vez em quando apresenta “a destreza e a habilidade da forma” ou ainda, algum ou outro “verso excelente”, nas palavras de Sílvio Romero. Infelizmente, para a crítica da segunda metade do século XX, não foi diferente, visto que autores como Alfredo Bosi, Afrânio Coutinho e Antônio Candido não dedicaram ao poeta mais do que algumas linhas em seus respectivos estudos sobrea Literatura Brasileira. Desse modo, tanto Milton quanto Sousândrade não parecem imperar como autores importantes para as preocupações do século XX, emergindo apenas em seus aspectos culturais, caso do poeta inglês, ou nas suas inovações estilísticas “pré-modernistas”, caso do poeta brasileiro. Por outro lado, curiosamente os dois autores encerram em suas obras

Eutomia – Ano II, Nº 2 –...
tracking img