Fichamento

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O Senso Comum e a Ciência (I)e (II). In: ALVES, R. Filosofia da Ciência Introdução Ao Jogo e a suas Regras .pp 9-37.
A ciência é uma entre muitas outras atividades com que se ocupam as pessoas comuns. Assim sendo, também apresenta características constantes no senso comum, como é o caso do dogmatismo. A ciência é dogmática. Novas idéias são impostas a contragosto. Geralmente, a Igreja édescrita como a vilã em oposição ao “mocinho”. Todavia, contra Galileu falava a ciência da época, acidentalmente incorporada na Igreja. A sociologia das instituições científi cas, hoje, continua a mesma. E que critério invocam os cientistas ortodoxos para rejeitar Galileu? O mesmo que ainda hoje se invoca: o consenso, o acordo. Quando todos concordam, é porque existe uniformidade quanto à interpretaçãodas evidências.E como os cientistas chegam às descobertas? No momento que uma idéia nova é gerada, o cientista conta com apenas duas coisas para sustentá-la: primeiro, o amor com que ele a concebeu; segundo, a promessa que lhe faz a nova visão, de abrir novos campos. Não existe um método para a descoberta de uma teoria, mas como no discurso científi co só entram proposições sobre as quais se podetomar uma decisão quanto a serem verdadeiras ou falsas, essas teorias podem ser metodicamente testadas.É somente o teste das declarações que irá tornar possível a decisão de serem elas verdadeiras ou falsas. Se houver uma declaração qualquer que não possa ser testada, essa mesma declaração estará fora do jogo em que é fundamental poder dizer “falso”, “verdadeiro”.“Falso” e “verdadeiro”, porém, quejamais podem ser afi rmados com absoluto grau de certeza. Não há verifi cabilidade de teorias, e sim a testabilidade delas. Uma teoria somente pode ser testada, sendo que os únicos testes possíveis são aqueles que, eventualmente, podem demonstrar a falsidade de seus enunciados.Não se quer dizer que uma teoria só pode ser considerada científi ca se for provada falsa. Ao contrário: se uma teoria nãopuder ser provada falsa, eventualmente, isso signifi ca que ela não pode ser corrigida pela experiência. Tal critério é decepcionante. Na realidade, o que queremos é a verdade. E é justamente isso que nos é negado. Apenas podemos chegar a um talvez.A testabilidade, portanto, pode mostrar que uma teoria é falsa ou que talvez seja verdadeira. Para fi ns práticos, entretanto, o talvez ésatisfatório.Concluindo este item, podemos dizer que a credencial de qualquer declaração, para que ela tenha entrada no submundo da ciência, é a sua falsifi cabilidade, porque não há métodos que nos permitam concluir acerca de sua verdade de forma defi nitiva. Podemos ter certeza quando estamos errados, mas nunca podemos ter certeza de estarmos certos.Diante de tudo isso, concluímos que o cientista não é o dono daverdade. Verdade e bondade Este item, segundo a minha opinião, é um dos mais confusos, pois Rubem Alves, após demonstrar toda uma concepção popperiana de ciência, critica aquilo que explicou no livro todo, ou seja, tudo aquilo que o leitor tinha como defi nido, segundo Rubem Alves, está indefi nido. Declarações não-falsifi cáveis não podem pertencer à ciência. Isso é certo. Para contrariar essecritério popperiano, e admito não conhecer as razões que levaram Alves a isso, o mesmo adota o discurso kuhniano.Thomas Kuhn alega que o critério de falsifi cabilidade não passa de um mito que não encontra corroboração alguma na história. Ao contrário, é constantemente por ela refutado. Diz ele: “Nenhum processo já revelado pelo estudo da história do desenvolvimento científi co se parece, nem de longe,com o estereótipo da falsifi cação pela comparação direta com a natureza”. Nem pudera. A história da ciência mostra que a mesma já esteve fundada nos mais diversos critérios: o mitológico, o racionalista, o empirista, o positivista e o positivista lógico. Popper propõe o critério da falsifi cabilidade como critério demarcador para a ciência naquele momento. Creio, ainda, que, em face do seu...
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