Fichamento

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Fichamento

CARVALHO, Jose Murilo de. A formação das almas: o imaginário da República do Brasil. São Paulo: Companhia das letras, 1990.

Introdução

O instrumento clássico de legimitação de regimes políticos no mundo moderno é, naturalmente, a ideologia, a justificação racional da organização do poder. Havia no Brasil pelo menos três correntes que disputavam a definição da natureza do novoregime: o liberalismo à americana, o jacobinismo à francesa, e o positivismo. As três correntes que disputavam a definição da natureza do novo regime: o liberalismo à americana, o jacobinismo à francesa e o positivismo. As três correntes combateram-se intensamente nos anos iniciais da República, até a vitória da primeira delas, por volta da virada do século. (p.9).

Embora fundamentalmente denatureza discursiva, as justificativas ideológicas possuíam também elementos que extravasavam o meramente discursivo, o cientificamente demonstrável. Supunham modelos de república, modelos de organização da sociedade, que traziam embutidos aspectos utópicos e visionários. (p.9).

Tratava-se de uma batalha em torno da imagem do novo regime, cuja finalidade era atingir o imaginário popular pararecriá-lo dentro dos valores republicano. A batalha pelo imaginário popular republicano será o tema central deste livro.

A elaboração de um de um imaginário é parte integrante de legimitação de qualquer regime político. É por meio do imaginário que se podem atingir não só a cabeça, mas, de modo especial, o coração, isto é, as aspirações, os medos e as esperanças de um povo. É nele que as sociedadesdefinem suas identidades e objetivos, definem seus inimigos, organizam seu passado, presente e futuro. (p.10).

A manipulação do imaginário social é particularmente importante em momentos de mudanças política e social, em momentos de redefinição de identidades coletivas. Não foi por acaso que a Revolução Francesa, em suas várias fases, tornou-se um exemplo clássico de tentativa de manipular ossentimentos coletivos no esforço de criar um novo sistema político, uma nova sociedade, um homem novo. Mirabeau disse-o com clareza: não basta mostrar a verdade, é necessário fazer com que o povo a ame, é necessário apoderar-se da imaginação do povo. (p.11).

“As artes são a imitação da natureza nos aspectos mais belos e mais perfeitos; um sentimento natural no homem o atrai para o mesmoobjetivo’’. Continuava afirmando que nas artes devia inspirar-se em idéias grandiosas e úteis. Seu fim não era apenas encantar os olhos, mas, sobretudo, contribuir poderosamente para a educação pública penetrando nas almas. (p.11).

Os republicanos brasileiros que se voltavam para a França como seu modelo tinham à disposição, portanto, um rico material em que se inspirar.

O uso dessa simbologiarevolucionará era facilitado pela falta de competição por parte da corrente liberal, cujo modelo era os Estados Unidos. Esta não contava com a mesma riqueza simbólica e sua disposição. Por razões que não cabe aqui discutir, talvez pela menor necessidade de conquistar o coração e a cabeça de uma população já convertida aos novos valores, a revolução americana foi muito menos prolífica do que a francesana produção de símbolos revolucionários. (p.12).

A discussão dos símbolos e de seu conteúdo poderá fornecer elementos preciosos para entender a visão de república que lhes estava por trás, ou mesmo a visão de sociedade, de história e do próprio ser humano. Ela pode ser particularmente importante para revelar as divergências e os conflitos entre as distintas concepções de republica entãopresentes. A aceitação ou rejeição dos símbolos propostos poderá revelar as raízes republicanas preexistentes no imaginário popular e a capacidade dos manipuladores de símbolos de refazer esse imaginário de acordo com os novos valores. Um símbolo estabelece uma relação de significado entre dois objetos, duas idéias, ou, ou entre objetos e idéias, ou entre duas imagens. (p.13).

Todo regime político...
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