Fichamento - a era do capital - hobsbawm

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A ERA DO CAPITAL[1]
1848-1875





ERIC J. HOBSBAWM
Sumário



PRIMEIRA PARTE:
PRELÚDIO REVOLUCIONÁRIO

1. “A Primavera dos Povos” 4


SEGUNDA PARTE:
DESENVOLVIMENTO


2. A Grande Expansão 8
3. O Mundo Unificado 12
4. Conflitos e Guerras 14
5. A Construção das Nações 18
6. As Forças da Democracia 20
7. Perdedores 23
8. Vencedores 27
9.A Sociedade em Processo de Mudança 31


TERCEIRA PARTE:
RESULTADOS


10. A Terra 35
11. Os Homens se Põem a Caminho 37
12. A Cidade, a Indústria, a Classe Trabalhadora 40
13. O Mundo Burguês 43
14. Ciência, Religião, Ideologia 46
15. As Artes 53
16. Conclusão 60








Primeira Parte
PRELÚDIO REVOLUCIONÁRIO
Primeiro Capítulo
“A PRIMAVERA DOS POVOS”I
Nunca houve uma revolução que tivesse se espalhado tão rápida e amplamente, se alastrando como fogo na palha por sobre fronteiras, países e mesmo oceanos. 1848 foi a primeira revolução potencialmente global, cuja influência direta pôde ser detectada até mesmo na insurreição de 1848 em Pernambuco (Brasil) e poucos anos depois na remota Colômbia. Na Europa foi a única a afetar tanto aspartes “desenvolvidas” quanto as atrasadas do continente. Foi ao mesmo tempo a mais ampla e a menos bem sucedida deste tipo de revoluções. No breve período de seis meses de sua explosão, sua derrota universal era seguramente previsível; dezoito meses depois, todos os regimes que derrubara foram restaurados, com a exceção da República Francesa que, por seu lado, estava mantendo todas as distânciaspossíveis em relação à revolução à qual devia sua própria existência.
As revoluções de 1848, portanto, possuem uma curiosa relação com o conteúdo deste livro. Pela sua ocorrência, e pelo medo de sua recorrência, a história da Europa nos 25 anos seguintes seria muito diferente.


II
A revolução triunfou através de todo o centro do continente europeu, mas não na sua periferia. Istoinclui países demasiadamente remotos ou isolados em sua história para serem diretamente atingidos de alguma maneira (por exemplo, a Península Ibérica, Suécia e Grécia), demasiadamente atrasados para possuir estratificação social politicamente explosiva da zona revolucionária (por exemplo, Rússia e o Império Otomano), mas também os únicos países já industrializados, cujo jogo político já estavasendo feito de acordo com regras diferentes, como a Inglaterra e a Bélgica.
Politicamente, a zona revolucionária era heterogênea. Excetuando-se a França, o que estava em jogo não era meramente o conteúdo político e social destes estados, mas sua forma ou mesmo existência. Os alemães, os italianos e praticamente todos os movimentos nacionais envolvidos na revolução, exceto os franceses, viram-selutando contra o grande império multinacional dos Habsburgos, que espalhava-se pela Alemanha e Itália, também incluindo os tchecos, húngaros, uma parte substancial dos poloneses, romenos, iugoslavos e outros povos eslavos.
Os radicais confessadamente tinham uma simples solução: uma república democrática unitária e centralizada da Alemanha, Itália, Hungria ou o país que ocorresse a ser,constituído de acordo com os princípios da Revolução Francesa sobre as ruínas de todos os reis e príncipes, e que empunhasse sua versão da bandeira tricolor que, usada no modelo francês, era o modelo básico de uma bandeira nacional.
As revoluções de 1848, portanto, requerem um detalhado estudo por estado, povo, região, para o que este livro não é o lugar. No entanto, elas tiveram muito emcomum, não apenas pelo fato de terem ocorrido quase simultaneamente, mas também porque seus destinos estavam cruzados, todas possuíam um estilo e sentimento comuns, uma atmosfera curiosamente romântico-utópica e uma retórica similar, para que os franceses inventaram a palavra quarente-huitard. Precisamos olhar brevemente algumas de suas características comuns.
Em primeiro lugar, todas foram...
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