Fichamento sobre o texto "paratextos editoriais", de gérard gennete

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Paratextos editoriais

GENNETE, Gérard. Paratextos editoriais. Trad. Álvaro Faleiros. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009, p. 9-19. Cap. 1: Introdução; Cap. 2: O peritexto editorial.


“A obra literária consiste, exaustivamente ou essencialmente, num texto. […] Contudo, esse texto raramente se apresenta em estado nu, sem o reforço e o acompanhamento de certo número de produções, verbais ounão, como um nome de autor, um título, um prefácio, ilustrações. […] Esse acompanhamento, de extensão e conduta variáveis, constitui o que em outro lugar, batizei de paratexto. […] O paratexto é aquilo que por meio de um texto se torna livro e se propõe como tal a seus leitores, e de maneira mais geral ao público.” (p.9)
“‘Zona indecisa‘ entre o dentro e o fora, sem limite rigoroso, nem para ointerior (o texto) nem para o exterior (o discurso do mundo sobre o texto. […] Constitui entre o texto e o extratexto uma zona não apenas de transição, mas também de transação”. (p. 10)
“Os caminhos e meios do paratexto não cessam de modificar-se conforme as épocas, as culturas, os gêneros, os autores, as obras, as edições de uma mesma obra, com diferenças de pressão às vezesconsideráveis”. (p.11)
“Nesse sentido, pode-se sem dúvida adiantar que não existe, e que jamais existiu, um texto sem paratexto. Paradoxalmente, há […] paratextos sem texto, pois existem muitas obras, desaparecidas ou abortadas, das quais conhecemos apenas o título”. (p.11)
“[...] a necessidade de um paratexto impõe-se a toda espécie de livro, mesmo que não tenha nenhuma intenção estética”. (p.11)“De maneira mais concreta: definir um elemento de paratexto consiste em determinar seu lugar (pergunta onde?), sua data de aparecimento e às vezes de desaparecimento (quando), seu modo de existência, verbal ou outro (como?), as características de sua instância de comunicação, destinador e destinatário (de quem?, a quem?) e as funções que animam sua mensagem: para fazer o quê? (p.11)“Um elemento de paratexto, se pelo menos consiste numa mensagem materializada, tem necessariamente um lugar, que se pode situar em relação àquela do próprio texto: em torno do texto, no espaço do mesmo volume, como o título ou o prefácio, e, às vezes, inserido nos interstícios do texto, como os títulos, de capítulo, ou certas notas, chamarei de peritexto”. (p. 12)
“Ainda em torno do texto, mas auma distância mais respeitosa (ou mais prudente), todas as mensagens que se situam, pelo menos na origem, na parte externa do livro: em geral num suporte midiático […], ou sob a forma de uma comunicação privada […]. A essa segunda categoria eu batizo, na falta de um termo melhor, de epitexto”. (p. 12)
“[...] paratexto = peritexto + epitexto.” (p. 12)
“A situação temporal do paratextopode também ser definida em relação à do texto. Se adotarmos como ponto de referência a data de aparecimento do texto, isto é, sua edição ou original, certos elementos de paratexto são de produção (pública) anterior: panfletos, anúncios de ‘no prelo‘, ou ainda elementos ligados a uma pré-publicação em jornal ou revista, que às vezes irão desaparecer no volume”. (p. 12,13)
“[...] cabe aquiestabelecer a distinção entre o paratexto simplesmente posterior (primeiro caso) e o paratexto tardio (segundo caso). Se esses elementos aparecem após a morte do autor, qualificá-los-ei, como todo mundo, de póstumos; se forem produzidos em vida do autor, adotarei […] paratexto ântumo. […] Um paratexto pode ser ao mesmo tempo original e póstumo, se ele acompanha um texto também póstumo”. (p. 13)“[...] se um elemento de paratexto pode aparecer a todo momento, pode também desaparecer, definitivamente ou não, por decisão do autor ou intervenção alheia, ou em virtude do desgaste do tempo. […] um elemento suprimido, por exemplo na hora de uma nova edição, sempre pode reaparecer numa edição posterior”. (p. 13)
“A questão da condição substancial será aqui regulada […], pelo...
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