Fichamento sobre o narcisismo

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FREUD, S. Obras Psicológicas Completas de S. Freud Vol XIV. Rio de Janeiro Imago, 1996

NOTA DO EDITOR INGLÊS
Resume suas primeiras discussões sobre o tema do narcisismo e considera o lugar ocupado pelo narcisismo no desenvolvimento sexual, indo, porém, além disso, pois penetra nos problemas mais profundos das relações entre o ego e os objetos externos, traçando a nova distinção entre ‘libidodo ego’ e ‘libido objetal’. (p. 78 )
Introduz os conceitos do ‘ideal do ego’ e do agente auto-observador a ele relacionado, que constituíram a base do que, finalmente, veio a ser descrito como o ‘superego’ em The Ego and the Id (1923b). (p. 78)

SOBRE O NARCISISMO: UMA INTRODUÇÃO
I
O termo narcisismo deriva da descrição clínica e foi escolhido por Paul Näcke em 1899 para denotar a atitudede uma pessoa que trata seu próprio corpo da mesma forma pela qual o c.orpo de um objeto sexual é comumente tratado - que o contempla, vale dizer, o afaga e o acaricia até obter satisfação completa através dessas atividades. Desenvolvido até esse grau, o narcisismo passa a significar uma perversão que absorveu a totalidade da vida sexual do indivíduo, exibindo, conseqüentemente, as característicasque esperamos encontrar no estudo de todas as perversões. (p. 81 )
O narcisismo nesse sentido não seria uma perversão, mas o complemento libidinal do egoísmo do instinto de autopreservação, que, em certa medida, pode justificavelmente ser atribuído a toda criatura viva. (p. 81 )
Um paciente que sofre de histeria ou de neurose obsessiva, enquanto sua doença persiste, também desiste de suarelação com a realidade. Mas a análise demonstra que ele de modo algum corta suas relações eróticas com as pessoas e as coisas. (p. 82)
Com o parafrênico a situação é diferente. Ele parece realmente ter retirado sua libido de pessoas e coisas do mundo externo, sem substituí-las por outras na fantasia. Quando realmente as substitui, o processo parece ser secundário e constituir parte de uma tentativa derecuperação, destinada a conduzir a libido de volta a objetos. (p. 82)
A libido afastada do mundo externo é dirigida para o ego e assim dá margem a uma atitude que pode ser denominada de narcisismo. Mas a própria megalomania não constitui uma criação nova; pelo contrário, é, como sabemos, ampliação e manifestação mais clara de uma condição que já existia previamente. (p. 82)
Assim, formamos aidéia de que há uma catexia libidinal original do ego, parte da qual é posteriormente transmitida a objetos, mas que fundamentalmente persiste e está relacionada com as catexias objetais, assim como o corpo de uma ameba está relacionado com os pseudópodes que produz. (p.83)
A libido objetal atinge sua fase mais elevada de desenvolvimento no caso de uma pessoa apaixonada, quando o indivíduo parecedesistir de sua própria personalidade em favor de uma catexia objetal, ao passo que temos a condição oposta na fantasia do paranóico (ou autopercepção) do ‘fim do mundo’. (p.83)
...uma unidade comparável ao ego não pode existir no indivíduo desde o começo; o ego tem de ser desenvolvido. Os instintos auto-eróticos, contudo, ali se encontram desde o início, sendo, portanto, necessário que algo sejaadicionado ao auto-erotismo - uma nova ação psíquica - a fim de provocar o narcisismo. (p.84)
O valor dos conceitos ‘libido do ego’ e ‘libido do objeto’ reside no fato de que se originam do estudo das características íntimas dos processos neuróticos e psicóticos. A diferenciação da libido numa espécie que é adequada ao ego e numa outra que está ligada a objetos é o corolário inevitável de umahipótese original que estabelecia distinção entre os instintos sexuais e os instintos do ego. Seja como for, a análise das neuroses de pura transferência (neurose de histeria e obsessiva) compeliu-me a fazer essa distinção, e sei apenas que todas as tentativas para explicar esses fenômenos por outros meios foram inteiramente infrutíferas. (p.85)
Existem vários pontos a favor da hipótese de ter...
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