Fichamento meninos e meninas

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Fichamento do texto: Meninos e meninas na rua: impasse e dissonância na construção da identidade da criança e do adolescente na República Velha. (Esmeralda Blanco Bolsonaro de Moura)

O perigo da rua: impasse
“É certo que, em fins do século passado e em princípios deste, a rua, além de sediar o dinamismo do setor terciário, de testemunhar o desenvolvimento das indústrias no ritmo dosoperários a caminho do trabalho, bem como o peso da economia informal, é espaço social dos mais ativos nos bairros paulistanos. Nos bairros pobres, é nelas que se reproduzem as brincadeiras entre as crianças, a conversa e também as brigas da vizinhança, o restrito lazer operário’’.
“Mas, a rua é, também, o espaço do ócio, do comportamento visto como imoral, o espaço do crime, o espaço onde se reproduzemformas de sobrevivência tidas como verdadeiramente marginais, onde as misérias sociais estão em permanente e contundente exposição’’.
“O "aumento considerável dos desocupados", a "grande incidência dos pequenos crimes", bem como a "onda de violência cotidiana" - assinala - gera insegurança, apreensão e, consequentemente, a reivindicação, por parte de "alguns setores das classes proprietárias, daclasse média e mesmo do operariado", no sentido de que seja ampliado o contingente policial paulistano. ’’.
“A rua é, também, o espaço no qual a pobreza ganha plena visibilidade, mesclando-se à tão questionada marginalidade social, e são tênues os limites que a separam do crime e da delinquência com os quais frequentemente se confunde. ’’
“Ao abrigo do pensamento que enfatiza a influência do meiosobre o indivíduo, a rua encontra nos meninos e meninas abandonados ou já inseridos no mundo da mendicância, da vadiagem, da prostituição, da delinquência e do crime, um fator que definitivamente tende a projetá-la enquanto ambiente social a ser moralmente saneado. Verdadeiro impasse, no entanto, a presença de crianças e de adolescentes nesse controvertido painel de comportamentos dissonantes emrelação aos padrões de comportamento burguês socialmente estabelecidos e aceitos, não só resiste aos novos horizontes filantrópicos e ao aprimoramento do controle social que emana do Estado, mas parece se tornar cada vez mais acentuada, seguindo seu curso de forma inexorável e expondo as contradições sociais em cada esquina’’.

Um modelo inconsistente
“Adquirindo projeção sobretudo a partir dadécada de 1890, o problema se antecipa à República: em fevereiro de 1876 o Presidente da Província alertava para o fato de que "na Capital existem dezenas de meninas que já têm na fronte o estigma da desonra", arrastadas "ao abismo da prostituição" pelos "impiedosos braços da miséria”.
“Em meados da década de 1910, o Presidente da Cruz Vermelha Brasileira, Gal. Thaumaturgo de Azevedo observa,durante o Primeiro Congresso Americano da Criança, que é dever dos poderes públicos, tendo em vista a "questão dos menores abandonados e da vida que levam, vagueando nas ruas sem instrução e sem trabalho", proceder ao "registro dos menores abandonados na via pública", que substituiria a roda, bem como tomar a si a tarefa de educá-los. Lembrando, anos depois, na Assembléia Nacional Constituinte de1934, que "se a educação é um direito de todos os cidadãos, precisamos dizer também que todos os cidadãos têm direito à educação".
“Percebe-se que as soluções para o problema apontam, sobretudo na direção de classificar, controlar, confinar, disciplinar e recuperar, ao mesmo tempo em que são engendradas através das fendas de um modelo que não se sustenta diante do vivido, vivido que não é possívelomitir ou negar. Denunciando os próprios mecanismos de exclusão que lhes deram origem, os personagens da rua projetam-se por entre fendas, como negação da ordem pública, do trabalho, da moralidade e da legalidade, enfim, da própria capacidade do Estado em exercer sobre a sociedade um controle eficiente. ’’.
“. A República Velha já registra o uso da palavra "menor" para designar a criança e o...
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