Fichamento maquiavel vii a xiv

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VII - O príncipe que, através de sua deferência com os governados, acredita temperar sua ousadia, geralmente se engana.

Constatou-se frequentemente que esta palavra não é tão-só inútil de todo, como prejudicial, principalmente quando a exerces com homens insolentes que, por inveja ou outros motivos, odeiam-te.

Um príncipe, portanto, não deve jamais permitir em rebaixar-se de sua posição nemem abandonar coisa alguma, a não ser que não possa ou creia não poder reter o que lhe obrigam a ceder. Vale quase sempre, quando a coisa chegou a um ponto em que não se pode cedê-la de bom gosto, que a deixes ser levada pela força, em lugar de deixar que seja roubada por meio desta. Quando cedes por medo é para evitar uma guerra e frequentemente, não se pode cedê-la de bom gosto, que a deixes serlevada pela força em lugar de deixar que seja roubada por meio desta. Quando a cedes por medo é para evitar uma guerra e, frequentemente, não a evitas. Aquele a quem, por efeito de visível covardia, tenhas concedido o que queria, não parará apenas nisso.

VIII - Quão perigoso é para um príncipe, bem como para uma república, não castigar ultrajes praticados contra uma nação ou contra particular.Pode-se perceber quanto a indignação causada pela impunidade dos culpados deve ocasionar de mal se considera o que aconteceu aos romanos por não terem castigado a perfídia de seus três embaixadores com respeito aos franceses para os quais se havia enviado a Clusi.

Os franceses, tendo conhecimento de que eram honrados aqueles que mereciam simplesmente o castigo, olharam essa conduta comoofensiva e ignominiosa para si próprios e, indignados e irados, lançaram-se sobre Roma e a tomaram, com exceção do Capitólio.

Esta desgraça não aconteceu aos romanos tão-somente porque haviam faltado com a justiça, mas porque seus embaixadores, que deveriam ser castigados por terem trabalhado criminosamente contra o direito das nações, foram cumulados de honras por esta infâmia. Cuidem, pois,tanto os príncipes; visto que, se ofendido com gravidade por alguém, indivíduo ou Estado, e não recebendo satisfação disso, vingar-se-á de forma funesta para o Estado.

O príncipe nunca deve menosprezar nenhum de seus súditos que acredite que, juntando sua própria injúria à que um deles lhe tenha porventura feito, particular ou cortesão, tenha a ideia de vingar-se do príncipe, ainda que atraindo adesgraça para sua própria pessoa.

IX - A fortuna cega o espírito dos homens quando não quer que se oponham a seus próprios desígnios.

Se consideram os rumos de coisas humanas, reconher-se-á que frequentemente ocorrem acidentes contra os quais os céus não desejaram que os homens pudessem preservar-se.

Nada sendo mais verdadeiro que essa conclusão: os homens, cuja vida foi formada de grandesadversidades ou de perene prosperidade, não merecem censuras ou elogios.

Quando a fortuna deseja que grandes coisas sejam feitas, trabalha com competência escolhendo um homem de grande gênio para conhecer as ocasiões que lhe vai apresentar e de valores bastante extenso para aproveitar-se delas.

É um verdadeiro que os homens possam auxiliar a fortuna; podem dirigir, não cortar o fio de suasoperações. Todavia, nunca devem desanimar-se, porque não sabendo o fim a que ela leva e caminhando por sendas controversas e desconhecidas, sempre devem esperar e, consequentemente, suster-se com a esperança sem qualquer circunstância crítica ou incômoda em que se encontrem.

X - Um governo deve evitar confiar cargos ou administrações de alguma importância aos que tenha ofendido.

Esta verdadeé tão evidente que basta expor aqui o exemplo que nos presta a história romana.

Quando vemos que o ressentimento exerce tamanho influxo sobre um cidadão romano, nos tempos em que Roma não estava corrompido, devemos prever quanto pode fazer num cidadão de um Estado em que se introduziu a corrupção e em que as almas estão destituídas de toda antiga magnimidade romana.

XI - Porque os...
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