Fichamento darcy ribeiro - o povo brasileiro

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Darcy Ribeiro usa como inspiração principal a formação do nosso povo. Darcy trabalha com a ideia de que o brasileiro é um novo povo, um povo que se difere de suas matrizes formadoras. No ínicio do livro começa uma dissecação de todo processo de mestiçagem e do fruto da nossa origem. Ele enfatiza que o brasil é um povo-nação, composta por índios, negros, mulatos e europeus se interligando efundando nosso país. Era claro que existia uma dualidade no modo de vida, de um lado a então chamada “selvageria” (com uma forte visão pejorativa e etnocentrica do ponto de vista dos brancos) e do outro a "civilização", concepções opostas de vivência e de convivência. Essas duas concepções se chocaram, a priori para os europeus os índigenas eram belos e não tinham noção do pecado, em contrapartida,eram seres pereguiçosos, improdutivos e sem valores morais.

“Nessa confluência, que se dá sob a regência dos portugueses, matrizes raciais díspares, tradições culturais distintas, formações sociais defasadas se enfrentam e se fundem para dar lugar a um “povo novo” (Darcy. 1995) num novo modelo de estruturação societária. Novo porque surge como uma etnia nacional, diferenciada culturalmente desuas matrizes formadoras, fortemente mestiçada, dinamizada por uma cultura sincrética e singularizada pela redefinição de traços culturais dela oriundos. Também novo porque se vê a si mesmo e é visto como uma gente nova(...)”

1) O novo mundo

Ocorreu um choque entre a mentalide do branco e a do índio. Quando os europeus descobriram o valor das matas brasileiras, o foco mudou, o pau-brasilera cobiçado e para extraí-lo seria necessário mão-de-obra. Darcy fala sobre a exploração em demasia:

“índios para uso próprio e para venda; índios inumeráveis, que suprissem as suas necessidades e se renovassem à medida que fossem sendo desgastados; índios que lhe abrissem roças (...) índios, peças de carga, que lhes carregassem toda a carga, ao longo dos mais longos e ásperos caminhos.”(1995. pág 106)

2) Gestação Étnica

O Cunhadismo foi um ponto forte para futura miscigenação, era o velho uso índigena de incorporar estranhos à sua comunidade, consistia em lhes dar uma moça índia como esposa, cada aldeia levava uma moça para casar-se com um europeu, este viria a se tornar cunhado e passava a ser parente dos índios. Desta maneira, os europeus conseguiram colocar váriosíndigenas à serviço deles, inclusive para extração do então descoberto pau-brasil. O europeu usou do artifício do cunhadismo para penetrar na cultura indigena, não era de seu interesse fazer parte dos índios, mas sim subjulga-los e domina-los a qualquer custo. No ventre das índias moças, eram carregados frutos dessa disparidade, não eram índios e tampouco europeus, eram -do ponto de vista étnico- umavida sem classificação, nasciam então os mestiços (chamados de mamelucos ou brasilíndios).
“Assim é que, por via do cunhadismo, levado ao extremo, se criou um gênero humano novo que não era, nem se reconhecia e nem era visto como tal pelos índios, pelos europeus e pelos negros. Esse gênero de gente alcançou uma eficiência inexcedível, a seu pesar, como agentes da civilização. Falavam suaprópria língua, tinham sua própria visão de mundo, dominavam um alta tecnologia de adaptação à floresta tropical. Tudo isso aurido de seu convívio compulsório com os índios de matriz tupi.” (1995. pág 109)

“O brasilíndio como o afro-brasileiro existiam numa terra de ninguém, etnicamente falando, e é a partir dessa carência essencial, para livrar-se da ninguendade de não-índios, não-europeus e nãonegros, que eles se vêem forçados a criar sua própria identidade étnica: a brasileira.” (1995. pág 130)

Eles eram chamados de mamelucos pelos Jesuítas espanhois, por serem rústicos e uma espécie de heróis civilizatórios que impunham domininação aos índios. Quaisquer europeus desembarcados nas terras brasileiras podiam fazer uso da prática do cunhadismo, era acessível a qualquer um (fosse...
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