Fichamento: as formas elementares da vida religiosa - durkheim

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DURKHEIM,Emile. As Formas Elementares da Vida Religiosa. São Paulo: Ed. Paulinas, 1989, p.53-79


Capítulo I

Definição do Fenômeno Religioso e da Religião


“Para poder investigar qual a religião mais primitiva e mais simples que nos dê a conhecer a observação, antes de mais nada, é preciso definir aquilo que se deve entender por religião (...) Mas o que é necessário e possível é indicarcerto número de sinais exteriores facilmente perceptíveis que permitam reconhecer os fenômenos religiosos por toda a parte onde se encontrem e que impeçam que sejam confundidos com outros.” (p.53)

“Os homens foram obrigados a formar noção do que é religião, bem antes da ciência das religiões ter podido instituir suas comparações metódicas. (...) Todavia, como essas pré-noções formaram-se semmétodo, seguindo os acasos e as circunstâncias da vida,não merecem nenhum crédito e devem ser rigorosamente afastadas deste nosso exame.” (p.53-54)

“Deixando de lado essa concepção geral da religião, consideremos as religiões na sua realidade concreta e procuremos apreender o que elas podem ter de comum; porque a religião só pode ser definida em função das características que estão presentes portoda parte onde há religião. (...) Para aquele que vê na religião apenas manifestação natural da atividade humana,todas as religiões são instrutivas,sem nenhuma espécie de exceção, pois todas exprimem o homem à sua maneira e podem assim ajudar a melhor compreender esse aspecto da nossa natureza.” (p.54)

I

“A religião seria, assim, uma espécie de especulação sobre tudo aquilo que escapa àciência e, mais geralmente ao pensamento distinto. ‘As religiões, diz Spencer,diametralmente opostas por seus dogmas, estão de acordo para reconhecer tacitamente que o mundo, com tudo o que contém e com tudo o que o cerca, é mistério que pede explicação’ (...) Da mesma forma,Max Müller via em toda religião ‘um esforço para conceber o inconcebível, para exprimir o inexprimível, uma aspiração aoinfinito’. (p.54-55)

“É certo que o sentimento de mistério não deixou de desempenhar papel importante em determinadas religiões, sobretudo no cristianismo.É preciso acrescentar ainda que a importância desse papel variou singularmente nos diferentes momentos da história cristã. Há períodos em que essa noção passa para segundo plano e se apaga.” (p.55)

“Veremos aliás, no correr desta obra, que anoção de forças naturais, com muita probabilidade, derivou da noção de forças religiosas; portanto, não poderia haver entre essas e aquelas o abismo que separa o racional do irracional. Até o fato de que as forças religiosas são pensadas, muitas vezes, sob a forma de entidades espirituais, de vontades conscientes, absolutamente não é prova de sua irracionalidade. A razão não se recusa, a priori, aadmitir que os corpos ditos inanimados sejam, como os corpos humanos, movidos por inteligências, se bem que a ciência contemporânea não aceite com facilidade essa hipótese.” (p.56)

“Aliás, a idéia de sobrenatural,tal como a entendemos, é recente: ela supõe, com efeito, a idéia contrária de que é a negação e que não tem nada de primitivo. Para que se pudesse dizer, de determinados fatos, que sãosobrenaturais era preciso ter já o sentimento de que existe uma ordem natural das coisas, ou seja, que os fenômenos do universo estão ligados entre si de acordo com relações necessárias chamadas leis. (...) Trata-se de uma conquista das ciências positivas; é esse o postulado sobre o qual repousam e que demonstraram com seu progresso.” (p.56-57)

“Foi a ciência, e não a religião, que ensinou aoshomens que as coisas são complexas e difíceis de se compreender.” (p.58)

“Assim, para que tenhamos a idéia do sobrenatural, não basta que sejamos testemunhas de acontecimentos inesperados; é necessário que esses sejam concebidos como impossíveis, ou seja, como inconciliáveis com uma ordem que, com ou sem razão, nos pareça necessariamente implicada na natureza das coisas.” (p.58-59)...
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