Fetiche do capital

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Trabalho e Proletariado no Capitalismo Contemporâneo
Sérgio Lessa
São Paulo: Cortez, 2007, 359 p.
 
por ADRIANO NASCIMENTO*
 
A implantação de novas tecnologias e novas formas de organização do processo de trabalho ocorrida no capitalismo contemporâneo deu origem a uma copiosa bibliografia que logo adquiriu grande relevo na agenda das ciências sociais contemporâneas. A opinião hegemônica passou aser aquela de que as transformações das últimas décadas, sobretudo aquelas ligadas às tecnologias de informação e à automação da produção, levaram a uma profunda mutação na natureza da sociedade capitalista e, em conseqüência, na relação entre o proletariado e as demais classes sociais. Nesse diapasão ganhou destaque a visão de que o proletariado se metamorfoseara, ou para absorver em seusquadros outros assalariados antes estranhos ao seu conceito, ou para expurgar a si mesmo de um conceito que já ficara vetusto por não considerar a nova face do trabalho e da produção.    
Nessa extensa bibliografia, tornou-se lugar-comum a idéia de que passamos a viver em uma nova sociedade, uma sociedade pós-capitalista ou pós-industrial, na qual já não é mais determinante a luta de classes. Já paraaqueles que ainda aceitam o “paradigma” da luta de classes, tornou-se uma trivialidade afirmar que a luta de classes dá-se em uma nova moldura, diversa daquela do século XIX, na razão em que as classes trabalhadoras adquiriram uma nova forma de inserção na estrutura da sociedade.
Na contra-corrente dessas tendências teóricas, a recente obra Trabalho e Proletariado no Capitalismo Contemporâneo, deSérgio Lessa, é um dos mais contundentes e provocativos textos que se dedica a investigar o significado das transformações econômicas e políticas ocorridas no capitalismo contemporâneo e que buscam compreendê-las à luz dos conceitos desenvolvidos por Marx. Nesse intento não são os manuscritos de Marx, como os famosos Grundrisse, que oferecem suporte para o autor. Mas sim, O Capital. Isto porque, naopinião de Lessa, “o abandono da prioridade exegética do Livro I de O Capital teve sempre um mesmo e único resultado: a dissolução da classe operária em outras classes sociais como os zassalariados ou uma amorfa classe média” (p. 250).   
Ancorado, portanto, na “leitura imanente” e “ortodoxa” do opus magnum marxiano e na assunção das proposições do filósofo alemão como “argumentos deautoridade”[1], Lessa debate com alguns dos mais influentes autores das ciências sociais contemporâneas. No debate realizado, três enfoques ganham destaque. No primeiro, de talhe ontológico, o foco são as teses de que as transformações nos processos produtivos teriam mudado a essência das classes sociais. No segundo, de cunho sociológico, a análise recai sobre os autores que tomaram trabalho como idêntico aemprego fordista. O último enfoque, de caráter político, discute se é ainda o proletariado a classe revolucionária hoje. Estes enfoques comparecem nas três partes que compõem o livro.
Na Parte I, Lessa apresenta suas críticas aos teóricos representantes do que considera o primeiro e o segundo adeus ao proletariado[2]. A vaga do primeiro adeus ao proletariado viria na esteira de um momento históricomarcado pelas conseqüências teóricas e políticas das transformações nos processos de trabalho e no padrão de consumo em massa dos países imperialistas, ocorridos com a ascensão do fordismo e do Estado de Bem-Estar (p. 56). Segundo Lessa, na década de 1950, o contexto histórico do primeiro adeus ofereceu indícios empíricos, prontamente seguidos de “manipulações ideológicas”, para aqueles que viamnas alterações na estrutura da produção, nas classes sociais e no Estado, razões suficientes para se infirmar as teses marxianas sobre o proletariado e suas relações com outras classes.
O foco inicial de Lessa é o adeus ao proletariado operado no interior da esquerda. No primeiro adeus, teóricos como Mallet, Belleville, Gurvitch, Braverman e Gorz, sempre resguardadas as diversidades em suas...
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