Festas roma antiga

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Centro de Ensino Superior do Seridó – Campus de Caicó. Publicação do Departamento de História e Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte V. 03. N. 06, out./nov. de 2002 – Semestral ISSN ‐1518‐3394 Disponível em www.cerescaico.ufrn.br/mneme

AS FESTAS IMPERIAIS NA ROMA ANTIGA: OS DECENNALIA E OS JOGOS SECULARES DE SEPTÍMIO SEVERO
Ana Teresa Marques Gonçalvesanteresa@terra.com.br Professora de História Antiga e Medieval da Universidade Federal de Goiás. Mestre em História Social pela USP e Doutoranda em História Econômica na USP.
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Resumo: O objetivo deste artigo é analisar duas festas romanas do período severiano: os Jogos Seculares e os festejos decenais. Palavras – Chaves: Período Severiano; Festas; Imperador; Septímio Severo. Abstract: The objective of thisarticle is to analyse two roman festivals in the Severan Age: the Ludi Saeculares and the Decennalia. Key-Words: Severan Age; Festivals; Emperor; Septimius Severus.

“O espetáculo é uma necessidade intrinsecamente associada ao exercício do poder: o monarca deve deslumbrar o povo (...). O cerimonial associado ao monarca tem por função tornar visível o imaginário do corpo simbólico (...). A arteclássica tem por função traduzir em imagens o corpo imaginário do rei, através das referências mitológicas das quais se nutre a monarquia. Longe de serem autônomas, as diferentes artes só encontram sua vitalidade no discurso político que as organiza” (Apostolidès, 1993:10, 15 e 70).

A realização de cerimônias públicas, de momentos festivos, é uma forma sofisticada muito antiga de comunicação comobjetivo político, pois as festas ajudam a manipular a opinião pública, a persuadir através de imagens e a legitimar o mando, sendo, deste modo, um dos vários instrumentos de poder. No desenrolar das festas, divulgam-se mensagens, imagens, símbolos e mitos, que auxiliam no controle social. A linguagem festiva é sobretudo imagética, o que explica seu alto poder de persuasão, de busca de consentimento ede apoio ao poder, garantindo uma impressão de unidade, fundamental para a manutenção do comando. O poder utiliza meios espetaculares para marcar sua entrada na história (comemorações, festas de todo o tipo, construção e reconstrução de monumentos). As manifestações do poder não se coadunam com a simplicidade; a grandeza, a ostentação e o luxo as caracterizam. As emoções tendem a se exacerbar nosespetáculos festivos organizados pelos poderosos. As imagens utilizadas nas festas marcam a identidade dos regimes
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Centro de Ensino Superior do Seridó – Campus de Caicó. Publicação do Departamento de História e Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte V. 03. N. 06, out./nov. de 2002 – Semestral ISSN ‐1518‐3394 Disponível em www.cerescaico.ufrn.br/mneme

e dos espetáculosdo poder, realizados com o objetivo de mostrar grandiosidade e força política. Nenhum sistema político é mudo. Um poder que não fala pelo décor, pela mise-en-scène, perderia a adesão do grupo de apoio, pois a persuasão reforça a sujeição. Portanto, as festas são signos e fazem parte de um ritual: não há sociedade sem ritual e não há ritual sem festas, pois elas ajudam a legitimar o regime(Capelato, 1998: 19-59). O ritual pode ser entendido como um conjunto de atos formalizados, expressivos, detentores de uma dimensão simbólica. Ele é caracterizado por uma configuração espaço-temporal específica, pelo recurso a uma série de objetos, por sistemas de comportamento e de linguagem específicos e por sinais emblemáticos cujo sentido codificado constitui um dos bens comuns de um grupo. O ritualinsiste na dimensão coletiva, isto é, ele faz sentido para os que o partilham. Ele tem eficácia social, pois ordena a desordem, dá sentido ao acidental, cria situações de adesão e regula conflitos. A festa é antes de tudo um ato coletivo, com um lado sagrado e outro leigo de puro divertimento, e serve ao poder, que deve afirmar-se regularmente no decurso de grandes cerimônias (Segalen, 2000:23 e...
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