Fernando pessoa ortonimo

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Pessoa- ortónimo
O fingimento artístico
Uma das temáticas recorrentes na produção literária de Fernando Pessoa é a questionação sobre a sinceridade poética, com a qual o poeta conclui que "fingir éconhecer-se"; daí a descentração do poeta fingidor que fala e que se coloca em ponto de observação e, por vezes, se identifica com a própria criação poética, como impõe a modernidade. Lugar dedestaque ocupa o poema Autopsicografía (teorizador da poética pessoana), no qual se definem claramente os lugares da inteligência (pensamento) e do coração (sen¬timento) na criação artística. É assim queeste poeta, possuidor de uma impressionante capacidade de dramatização, descentração e despersonalização procura, através da frag¬mentação do eu ("Continuamente me estranho", em Não sei quantas almastenho), atin¬gir a finalidade da Arte, servindo-se da intelectualização do sentimento ou da sentimentalização do intelecto para fundamentar o poeta fingidor.
O fingimento é a linguagem da arte. E a"arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos", como o refere o poeta, sob o nome de Bernardo Soares, no Livro do Desassossego. Para tal, é necessário comunicar, e, ainda na obra citada, acomunicação é feita por "palavras, que são sons articulados de uma maneira absurda, para em lingua¬gem real traduzir os mais subtis movimentos da emoção e do pensamento, que as pala¬vras forçosamentenão poderão nunca traduzir."

A dor de pensar
0 poeta debate-se frequentemente com as dialéticas sentir/pensar e consciência/ inconsciência, tentando encontrar um ponto de equilíbrio, o que nãoconsegue. Em Ela canta pobre ceifeira, o sujeito poético vive intensamente estas dicotomias: deseja ser a ceifeira que canta inconscientemente ("Ter a tua alegre inconsciência") e possuirsimulta¬neamente "a consciência disso!". Enquanto ela se julga feliz por apenas sentir, não inte¬lectualizar as suas emoções ("Ah, canta, canta sem razão!"), o "eu" está infeliz porque pensa, porque racionaliza em...
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