Fernando pessoa-mensagem

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  • Publicado : 6 de janeiro de 2013
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Estrutura da obra

A Mensagem


A Mensagem é uma obra composta por três partes, Brasão, Mar Português e Encoberto, cada uma destas partes subdivididas em noutras: Brasão – 5 partes; Mar Português – 1 parte com 12 poemas e o Encoberto – 3 partes. Esta divisão tem um simbolismo e tem como base o facto das profecias se realizarem três vezes, ainda que de modo diferente e em temposdistintos. Corresponde à evolução do império português que tal como o ciclo da vida, passa por três fases: Brasão – nascimento/fundadores; Mar Português – vida/realização e O Encoberto – morte/ressurreição.


Na primeira parte, o Brasão: o princípio da nacionalidade em que fundadores e antepassados criaram a pátria. Em o “Ulisses”, o símbolo da renovação dos mitos: Ulisses de facto não existiu masbastou a sua lenda para nos inspirar. A lenda, ao penetrar na realidade, faz o milagre de tornar a vida mundana insignificante. É irrelevante que as figuras de quem o poeta se vai ocupar tenham tido ou não existência histórica, “Sem existir nos bastou/Por não ter vindo foi vindo/E nos criou.”. O que importa é o que elas representam. Daí serem figuras incorpóreas, que servem para ilustrar o ideal deser português. Em “D. Dinis”, símbolo da importância da poesia na construção do Mundo. Pessoa vê D. Dinis como o rei capaz de antever o futuro e interpreta isso através das suas acções. Ele plantou o pinhal de Leiria, de onde foi retirada a madeira para as caravelas, e falou da “voz da terra ansiando pelo mar”, ou seja, do desejo de que a aventura ultrapasse a mediocridade. Em “D. Sebastião, rei dePortugal”, símbolo da loucura audaciosa e aventureira, “Sem a loucura que é o homem/ Mais que a besta sadia,/ Cadáver adiado que procria?”. Ora, D. Sebastião, apesar de ter falhado o empreendimento épico, foi em frente, e morreu por uma ideia de grandeza, e essa é a ideia que deve persistir, mesmo após sua morte, “Ficou meu ser que houve, não o que há./Minha loucura, outros que a tomem/Com o quenela ia.”.


 Na segunda parte, o Mar Português a realização através do mar em que heróis com uma grande missão de descobrir foram construtores do grande destino da Nação. Em “O Infante”, símbolo do Homem universal, que realiza o sonho por vontade divina: ele reúne todas as qualidades, virtudes e valores para ser o intermediário entre os homens e Deus, “Deus quer, o homem sonha, a obranasce.”. Em “Mar Português”, símbolo do sofrimento por que passaram todos os portugueses: a construção de uma “supra-nação”, de uma Nação mítica implica o sacrifício do povo, “Ó mar salgado, quanto do teu sal/São lágrimas de Portugal!”. Em “O Mostrengo”, símbolo dos obstáculos, dos perigos e dos medos que os portugueses tiveram que enfrentar para realizar o seu sonho: revoltado por alguém usurpar os seusdomínios, “O Mostrengo” é uma alegoria do medo, que tenta impedir os portugueses de completarem o seu destino, “Quem é que ousou entrar/Nas minhas cavernas que não desvendo, /Meus tectos negros do fim do mundo?”.


Na terceira parte, O Encoberto, a morte ou fim das energias latentes é o novo ciclo que se anuncia que trará a regeneração e instaurará um novo tempo. Em “O Quinto Império”,símbolo da inquietação necessária ao progresso, assim como o sonho: não se pode ficar sentado à espera que as coisas aconteçam; há que ser ousado, curioso, corajoso e aventureiro; há que estar inquieto e descontente com o que se tem e o que se é, “Triste de quem vive em casa/Contente com o seu lar/Sem um sonho, no erguer da asa.../Triste de quem é feliz!”. O Quinto Império de Pessoa é a mística certezado vir a ser pela lição do ter sido, o «Portugal-espírito», vivente de cultura e esperança, tanto mais forte quanto a hora da decadência a estimula. Em “Nevoeiro”, símbolo da nossa confusão, do estado caótico em que nos encontramos, tanto espiritual e emocional como mentalmente: algo ficou consubstanciado, pois temos o desejo de voltarmos a ser o que éramos, “(Que ânsia distante perto...
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