Fernando campos, poeta de sete faces

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  • Publicado : 27 de janeiro de 2013
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1 Fernando Campos, poeta de sete faces Marcos Teixeira Foi em Caratinga. Não sei dizer exatamente quando tudo se deu. Sei que foi antes de aparecerem as máquinas digitais e os aparelhos celulares, que um dia, quando andava interessado por fotografias, acabei conhecendo o poeta Fernando Campos, em visita que fiz à sua casa. Quem nos apresentou foi o artista plástico Geraldo Lomeu, que conheci pormeio de meu irmão mais velho. Nessa época, o pintor andava com uma máquina profissional e registrava detalhes da cidade das palmeiras. Lembro-me bem de uma pintura inacabada do Lomeu que representava o ventre de uma mulher abrigando uma espécie de jovem de pé grande. Tempos depois ele alterou o desenho e terminou a pintura. Fomos recebidos pelo Fernando Campos que, em Caratinga, consegue a façanhade ser artista plástico, fotógrafo, poeta, professor e, nas conversas descontraídas, também é um excelente crítico de arte. Posso dizer então que o conheci primeiro como fotógrafo. Ele nos deixou e foi buscar uma caixa de onde surgiram inúmeras fotografias. Foi nos explicando a técnica, os procedimentos utilizados, a perspectiva adotada, a luz empregada, essas coisas. Tempos depois veria uma desuas fotografias ilustrando a capa de uma das poucas edições da revista Fissura Crônica, que circulou na região. Era uma foto tirada na Gruta de Maquiné. Depois do fotógrafo, conheci o Fernando Campos artista plástico. Em sua casa podemos encontrar sua produção. Um destaque para o busto de Vera, sua esposa, que talvez eu tenha conhecido primeiro pela escultura. Hoje sei que é uma pessoamaravilhosa. Há lá obras em formato de pé, de mão, dentre outras, que são melhor entendidas com a explicação, sempre erudita, de quem as fez. Nas paredes encontramos também obras de outros artistas. Telas de Paulo Vieira e Sinval. Uma pintura de Paulo Vieira tinha um osso transpassado, já em outra encontramos a Pedra Itaúna. Enfim o conheci como escritor. Talvez o Fissura Crônica tenha tido uma importâncianeste sentido. Foi por essa época que conheci o Carlos Araújo e a Mírian Freitas, que me foi apresentada pelo Fernando. Nas diversas visitas que fiz ao poeta, pude ler e conversar sobre sua poesia. Também me aventurei a lhe mostrar meus primeiros poemas e recebi verdadeiras palestras que iam da métrica às imagens plásticas. Ao mesmo tempo me informava acerca dos demais artistas caratinguenses.Também foi por esta época que fundamos um jornalzinho chamado Literatura Alternativa, que possui colaboração desse artista de sete faces. Residindo fora da cidade desde 1999, acompanho de longe o trabalho dos amigos. Quando não posso visitar a terra natal, é por meio da internet e de publicações como a Revista Itaúna que recebo notícias de todos. Mas já que revelei que o Fernando é um grande poeta, umdos melhores que conheço, vejamos um de seus textos publicado nesta revista, em seu número doze, sobre o qual arriscarei um comentário:
Túrgido litúrgico Não espero senão o momento em que passe este asco (em que pese o nojo) e esta espécie de misoginia. Um corpo descendo à terra sob as pás do silêncio, mais vale pra que eu padeça

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as dores todas do mundo. Vi como eram belos os olhos tristesda menina, vi quando suas mãos mergulharam na terra, em busca de uma paz ressuscitada. E antes de descer as escadas, o pai ainda disse à filha, à guisa de resposta alguma: „A alma, minha pequena, é você pensando nela‟. Salvo engano, é claro o enigma.

Podemos dizer que o poema trata de uma cena de morte. O eu poético relata suas impressões diante do enterro, possivelmente, de um ente querido. Opoema permite duas leituras. Numa primeira, a menina permanece viva e assistiu ao enterro de alguém que lhe é importante. Talvez o da própria mãe. Não temos a pergunta da criança, mas é fácil deduzir que se trata do conceito de alma. Numa segunda leitura, temos o enterro da própria menina e, em seguida, uma rememoração do eu poético acerca das coisas do passado: a lembrança dos olhos tristes,...
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