Fenomenologia do homem

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  • Publicado : 2 de dezembro de 2012
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FENOMENOLOGIA DO HOMEM
- A dimensão corpórea do homem (homo somaticus)
- A vida humana (homo vivens)
- O conhecer Sensitivo e Intelectivo (homo sapiens)
- Santo Agostinho




HOMO SOMATICUS

A princípio cabe esclarecer qual método usaremos para abordar o tema. Embora rara nos dias de hoje, a expressão ‘Homo Somaticus’ não era nos tempos de São Paulo e Filão Alexandrino que, como outrosdo mesmo período, separam no homem dois elementos:
• um psíquico, ligado à alma;
• e, outro somático, ligado ao corpo.

A expressão Homo Somaticus é um termo usado para identificar a dimensão corpórea do homem.

O corpo humano tem sido objeto de reflexão filosófica em quase toda parte da história do pensamento. Encontra-se em Platão, Aristóteles, Filão, Santo Agostinho, São Tomás,Descartes, Spinoza, Leibnitz, Schopenhauer, Nietzsche, Bérgson, Heidegger, Sartre, Merleau-Ponty, Marcel e outros.

O fato de muitos pensadores antigos e até modernos não considerarem o corpo em si mesmo, mas apenas e exclusivamente em relação com a alma, coloca-o numa posição de pouca importância nas suas reflexões antropológicas, razão pela qual vemo-lo sempre no fim de seus postulados.

Não éexclusividade dos platônicos [Platão, Plotino, Descartes, Leibnitz] que identificando o homem com sua alma, estudam antes de tudo e sobretudo esta última, mas também os aristotélicos [Aristóteles, Tomás, Locke], que veem no corpo uma parte essencial do homem. Justifica-se pela forma como avaliam a questão: tantos os platônicos como os aristotélicos, em antropologia, se valem do método metafísico, o qualexige que se estude antes as causas e depois os efeitos, antes as coisas mais perfeitas e depois aquelas menos perfeitas. E, dado que ambos sustentam que a alma é mais perfeita que o corpo e que exerce sobre ele uma atividade causal, logicamente concentram suas atenções, sobretudo na alma.

Cabe lembrar que a exceção são os existencialistas, que centram suas atenções no homem com seus atributosenquanto ser-no-mundo e sua existência concreta – a partir da qual está condenado a ser livre, construtor do próprio destino e arquiteto da sua vida, submetido embora a limitações concretas e existenciais.

Daí a famosa frase do contemporâneo francês existencialista, Jean-Paul Sartre: “O inferno é o outro.”

Avaliando qual o melhor método para nossa abordagem, destacamos dois: um é focar ocorpo como realidade física. Estudá-lo pelo método experimental chamado de ‘cientifico’. Na época moderna, a partir de Descartes até Pavlov e Watson, vigorou o costume, também entre os filósofos, de aplicar o método experimental ao estudo da dimensão da corporeidade.

O problema é que desse modo reduziu-se o corpo a uma coisa, a uma maquina, com leis mecânicas perfeitamente calculáveis.

Esabemos que o corpo não pode ser reduzido a uma coisa.

Essa característica de Descartes e outros se deram, porque foram induzidos a depositar fé cega no método científico, que só reconhece como verdadeiro e real aquilo que é experimental – os objetos físicos e as coisas materiais.

Outro método é o Fenomenológico.

A quebra desse paradigma se deu quando, no inicio do nosso século, homens comoBérgson, James, Dilthy, Husserl e Scheler provocaram uma forte reação a essas pretensões da ciência de monopolizar toda a esfera do saber, e mostraram que existem outros modos de conhecimento tão precisos como os da ciência.

A separação entre método cientifico e método experiencial para o estudo do corpo originou duas considerações diferentes do fenômeno da corporeidade: a cientifica – o corpo –coisa, objeto, o corpo como se manifesta aos outros, aquilo que os alemães chamam ‘körper’; e a consideração fenomenológica, que estuda o próprio corpo, como é sentido, experimentado, vivido, aquilo que os alemães chamam leib.

A chave para compreender o método é atentar para que, embora posa se efetuar dupla investigação pelo corpo, nos ateremos não à cientifica, mas à fenomenológica, sem, é...
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