Febre e inflamação

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Medicina, Ribeirão Preto, v. 27, n. 1/2, p. 7-48, jan./jun. 1994

Simpósio:SEMIOLOGIA E FISIOPATOLOGIA CLÍNICAS Capítulo I

FEBRE E INFLAMAÇÃO
FEVER AND INFLAMMATION

Júlio C. Voltarelli
Docente. Departamento de Clínica Médica (Disciplina de Imunologia Clínica) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP

VOLTARELLI JC. Febre e inflamação. Medicina, Ribeirão Preto, v. 27, n. 1/2,p. 7-48, jan./jun. 1994.

RESUMO: Esta revisão é dividida em três partes. Na primeira, a febre é integrada ao conjunto de eventos da resposta inflamatória, particularmente da reação da fase aguda, desde que a maioria dos pirogênios (endógenos e exógenos) estimulam ambas as respostas. São discutidos seus mecanismos patogênicos e regulatórios, seus efeitos benéficos e nocivos, concluindo com umaanálise crítica da avaliação laboratorial da atividade inflamatória em doenças humanas. Na segunda parte, a fisiopatologia e o significado clínico de situações selecionadas de aumento de temperatura corporal são considerados. Assim, as inúmeras variáveis envolvidas na definição de estado febril são discutidas, bem como o valor cada vez mais limitado das curvas térmicas, e a problemática da febre comomanifestação isolada ou predominante (febre de origem indeterminada) é subdividida em suas circunstâncias de ocorrência (clássica, hospitalar, neutropênica e associada ao HIV ). A abordagem da febre com erupção cutânea é sistematizada, assim como a fisiopatologia e o diagnóstico da síndrome da fadiga crônica, das febres benignas, da insuficiência orgânica múltipla e das síndromes clínicasassociadas à hipertermia. Finalmente, em vista das novas informações disponíveis sobre a participação das várias citocinas e de outros mediadores na patogênese e função protetora da febre e sobre o mecanismo de ação dos antitérmicos, são apresentados alguns critérios para auxiliar o clínico a indicar e selecionar a terapia antipirética para febre e hipertermia. UNITERMOS: Febre. Resposta Inflamatória.Reação de Fase Aguda. Febre de Origem Indeterminada. Antipiréticos.

A evolução exponencial das ciências médicas e da disponibilidade de novos recursos diagnósticos e terapêuticos tornou insuficientes, e muitas vezes obsoletos, os conhecimentos semiológicos clássicos e complicou, sobremaneira, a missão cardinal do médico de dispensar o melhor atendimento disponível ao seu paciente. Há dez anos,publicamos, nesta mesma Revista, revisão de cunho didático sobre a patogênese, fisiopatologia e significado clínico da febre (Voltarelli & Falcão, 1984). Este conjunto de conhecimentos, embora válidos em seus princípios e úteis como guia introdutório, não são suficientes atualmente para o médico avaliar e conduzir os casos de febre que se apre-

sentam em situação ambulatorial ou hospitalar.Naquela época, já se reconhecia a resposta febril como parte integrante da reação inflamatória aguda, sendo mediada predominantemente por uma citocina, a interleucina-1 (IL-1), de efeitos múltiplos sobre vários tecidos. Do mesmo modo, era reconhecida a participação da febre nos mecanismos protetores do organismo contra infecções e neoplasias, questionando-se, portanto, o uso rotineiro de antitérmicosem qualquer elevação da temperatura corporal. Neste período de dez anos, houve um enorme progresso no entendimento dos mecanismos bioquímicos envolvidos na reação inflamatória e na resposta febril, principalmente na participação de outros mediadores além da IL-1 e nas

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Voltarelli JC

suas interações neuroendócrinas. Além disto, surgiram novas condições clínicas associadas a febre, como aAIDS e as síndromes da fadiga crônica e da liberação de citocinas, e a terapêutica sintomática da febre continuou a ser avaliada criticamente à luz de novos conhecimentos farmacológicos e imunológicos. Estes avanços constituem o objetivo desta revisão, que persiste em seu objetivo didático e seu enfoque clínico e não pretende repetir o conteúdo do artigo anterior. 1. A RESPOSTA DE FASE AGUDA...
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