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A ESCRITA DE UMA REVOLUÇÃO: UM DIÁLOGO ENTRE ALÉXIS DE TOCQUEVILLE E JULES MICHELET

ELISA ROUBERT LAGE DOS ANJOS E JULIANA WERNECK MACHADO *

INTRODUÇÃO “A Historiografia é: 1) uma filosofia ou metodologia aplicada da História:
modos de fazer, concepções sobre o fazer, exemplificados; 2) o conjunto das obras históricas produzidas numa época ou num país; 3) o estudo sistemático de umhistoriador, escola de historiadores ou época (ou local) da produção histórica, buscando estabelecer padrões de explicação ou compreensão” (CARDOSO, 2005: 115)

A Historiografia é a arte de escrever a história, é a escrita histórica. Ao longo dos anos, a historiografia sofreu diversas modificações e descobertas. A partir do século XIX, mais especificamente na França, a escrita histórica teve um novoimpulso: a “descoberta do novo”. Em meio ao domínio de uma escrita positivista, a história tentava fundamentar bases para ser uma disciplina, em meio a tantas “lutas” para ser reconhecida. A partir do século XIX ganhou uma nova postura metodológica: como um problema social, os vínculos de classe. Weber citou que não existia uma verdade absoluta: a produção histórica possuía diversas verdades, asquais eram diferenciadas pela visão de mundo, pela visão sobre a história, uma espécie de ângulo de estudo. No século XX, surgiu a Revista dos Annales que "revolucionou" a historiografia, não só a francesa, mais principalmente ela. Com os Annales, deu-se lugar a perspectivas culturais, politicas, sociológicas, econômicas: surge uma perspectiva para o estudo das mentalidades. Anos depois, nasce amicro história e assim sucessivamente. Ela abriu as portas para novas formas de se escrever história. A partir de Weber e Marx, o historiador já possui certo subjetivismo na escrita, já possui uma visão diferente, a verdade já não era total e sim parcial.

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Elisa Roubert Lage dos Anjos é licenciada em História pela Universidade Católica de Petrópolis e pósgraduanda em História Contemporânea pelaUniversidade Cândido Mendes.

Juliana Werneck Machado é licenciada em História pela Universidade Católica de Petrópolis e pósgraduanda em História Contemporânea pela Universidade Cândido Mendes.

Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011

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O presente artigo é fruto de uma pesquisa desenvolvida para o trabalho de conclusão do curso de licenciatura emhistória. Escolhemos a historiografia porque esta sempre desempenhou um papel muito importante para os homens: ilustrar a história de todos os tempos. Devido a isso, apresenta, inevitavelmente, influências temporais e também ideológicas, pois como diz Ciro Flamarion Cardoso: “O historiador, como homem de sua época, a partir dela interroga o passado” (CARDOSO, 2005: 95). No decorrer das produçõeshistoriográficas, diversas polêmicas foram suscitadas e esse é o caso da historiografia em torno da Revolução Francesa. Por ter sido um marco na história, a literatura existente sobre a Revolução Francesa é muito ampla. Diversos são os autores e distintas são as abordagens e Correntes historiográficas sobre ela. Tal variedade não foi uma característica única do século XIX, mas também e,principalmente, do século XX. Com esse trabalho, buscamos estudar como a historiografia tem abordado e analisado o fenômeno revolucionário francês. Para isso, trabalhamos com dois autores que consideramos de suma importância para qualquer trabalho de análise historiográfica que aborde esse marco da história: Aléxis de Tocqueville e Jules Michelet. A partir desses autores, torna-se importante o estudo e análisedos seguintes pontos: A Revolução Francesa foi uma revolução social e política, visando destruir o antigo regime, ou foi uma revolução pacífica, tendo o povo como seu herói? As suas raízes, suas causas, têm uma ligação direta com o presente ou a revolução não passou de um amadurecimento da França, um processo que já havia se iniciado desde as origens desse país?

VIDA E AS CONCEPÇÕES...
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