Fatores que explicam o (des)ajustamento da criança com odivórcio dos pais

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  • Publicado : 26 de agosto de 2012
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Jorge Abreu 53642
“A investigação tem mostrado que não é o divórcio dos pais per se, mas outros factores que explicam o
(des)ajustamento da criança”.
Como ficam as crianças após o divórcio é uma preocupação frequente dos pais e daqueles que
profissionalmente se dedicam a minimizar o efeito do divórcio nos filhos dos pais divorciados.
O divórcio dos pais transforma completamente a vida dosseus filhos, e esta transformação procedese
com uma grande dor: perdem a intimidade quotidiana com um dos seus pais, altera-se o conceito de
família e sentem-se basicamente abandonados. Os impactos podem ser muito diferentes, segundo o sexo, a
idade e o nível desenvolvimental no momento em que se dá o divórcio, porém também existe elementos em
comum na experiência de todas as crianças que tenhamatravessado esta crise (Braver, Shapiro, & Goodman,
2006).
Do ponto de vista da criança, é preciso levar em conta que a separação é um projecto dos pais. Muitas
crianças conseguem ser razoavelmente felizes e sentirem-se bem cuidadas em famílias em que um ou ambos
os cônjuges sentem-se infelizes. Contudo, poucas crianças demonstram sentirem-se aliviadas com a decisão
do divórcio (Braver,Shapiro, & Goodman, 2006).
Uma repercussão imediata dos filhos ao divórcio é variável de acordo com o desenvolvimento e a
idade dos mesmos. Em bebés até aos 2 anos o conflito interparental permanente pode interferir nos processos
de vinculação, associando-se ao desenvolvimento de estilos de vinculação inseguros ou desorganizados
(McIntosh, 2003, citado por Raposo, Figueiredo & Guimarães, 2010). Ascrianças mais novas, pré-escolares,
de 3 a 4 anos, podem apresentar uma regressão depois que um dos pais deixa o lar, podendo voltar a urinar
na cama, a serem mais solicitantes, demonstrando ter vários medos e a ter alterações no sono. Podem sentirse
culpadas pelo divórcio, medo de perda e abandono por um ou ambos os pais, interpretação desordenada
acerca de sentimentos e emoções (Raposo,Figueiredo & Guimarães, 2010).
Crianças de 5 a 8 anos geralmente demonstram uma tristeza aberta pelo divórcio, frequentemente
reflectindo-se no declínio do rendimento escolar. Se um pai critica o outro, a criança pode considerar, parte
de si, como sendo má (Burke et al, 2002 citado por Raposo, Figueiredo & Guimarães, 2010).
Na idade de 9 a 12 anos em geral a criança reage com raiva espontânea deum ou de ambos os pais,
por terem causado a separação. Por vezes demonstram ansiedade, solidão e sentimentos de humilhação por
sua própria impotência diante do ocorrido. O desempenho escolar e o relacionamento com colegas podem ter
prejuízo nesta fase. As consequências do divórcio nas crianças a médio e a longo prazo é muito variável. Já
os adolescentes sofrem com o divórcio muitas vezes comdepressão, raiva intensa ou com comportamentos
rebeldes e desorganizados (McIntosh, 2003, citado por Raposo, Figueiredo & Guimarães, 2010)
Contudo, não é a separação por si só que tem impacto no ajustamento das crianças ao divórcio (Grych
& Fincham, 1990; Amato & Keith, 1991; Amato, 1993, citado por Raposo, Figueiredo & Guimarães, 2010).
Adamson e Thompson, 1998, citado por Raposo, Figueiredo &Guimarães, 2010), sendo que os conflitos
parentais parecem desempenhar um maior impacto no ajustamento das crianças mostram que todas as
crianças reagem à raiva parental expressada durante os conflitos, manifestando medos, agressividade e stress.
As crianças filhas de pais separados com reduzidos níveis de hostilidade e conflito no exercício da
coparentalidade apresentam bons níveis deajustamento, em muito comparáveis às crianças que vivem em
famílias intactas com um baixo nível de conflito. Estudos demonstram que o grau e a qualidade do
funcionamento da criança não estão exclusivamente associados ao tipo de configuração estrutural da família,
mas, antes, à qualidade e tonalidade da relação entre a díade conjugal/parental (Hetherington citado por
Lamela, Castro, Gonçalves &...
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