Fato social –émile durkheim

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  • Publicado: 3 de junho de 2012
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FATO SOCIAL –Émile Durkheim

O estudo científico da sociedade sofreu indiscutível impacto, no século XX, ,com a contribuição de Durkheim. Ele formulou, com firmeza e convicção, uma assertiva que fortemente repercutiu nas interpretações sociológicas. Qualificou, com efeito, o fato social como uma “coisa”, e preconizou que, para estudá-lo, fossem aplicados os métodos e processos, isto é, osrecursos experimentais empregados nas ciências exatas. Para a explicação do fato social havia a necessidade, segundo ele, de investigação das causas sociais e não meramente históricas, psicológicas e biológicas.
O pensador francês, em defesa do seu posto de vista, apresenta uma definição clara, compreensível e mesmo correta: “é fato social toda maneira de agir, fixa ou não, suscetível de exercersobre o indivíduo uma coerção exterior, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter” (1966:12).
3.1.2 Características do Fato Social
De sua definição podemos tirar as características específicas do fato social:
a. exterioridade, em relação às consciências individuais;
b. coercitividade, a coerção que ofato social exerce ou é suscetível de exercer sobre os indivíduos;
c. generalidade, em virtude de ser comum ao grupo ou à sociedade.
Exterioridade. O conceito de exterioridade dos fatos sociais baseia-se na concepção durkheimiana de consciência coletiva, por ele definida como o conjunto das maneiras de agir, de pensar e de sentir, comum à média dos membros de determinada sociedade e que compõea herança própria dessa sociedade. Essa herança persiste no tempo, transmitindo-se de geração para geração. As maneiras de agir, de pensar e de sentir são exteriores às pessoas, porque as precedem, transcendem e a elas sobrevivem.
Exemplo: quando desempenhamos nosso papel de cidadãos, de filhos, de adeptos de determinada religião, ou de comerciantes, estamos praticando deveres definidos fora denós e de nossos hábitos individuais, no direito e nos costumes.
Até mesmo quando essas leis e costumes estão de acordo com sentimentos que nos são próprios, e que nos levam a sentir, interiormente, sua realidade, esta não deixa de ser objetiva: não fomos nós que criamos essas leis e costumes, estes nos foram transmitidos através da educação. Como cidadãos, ao atingirmos determinada idade, devemoscumprir certos deveres para com o Estado, que é anterior e independente da nossa existência particular. Como filhos, já encontramos estabelecidas as normas que regulam a instituição família em nossa sociedade. Se nos tornarmos adeptos de uma particular religião, constatamos que seus dogmas de fé e sua organização precederam a nossa existência continuarão a existir, mesmo que as reneguemos. Comocomerciantes, verificamos que a sociedade possui todo um código regulativo de nossa atividade nesse campo. Se viermos a falecer, o Estado, a instituição família, o credo religioso e o direito comercial continuarão a existir.
Essas características de anterioridade e posterioridade levam à conclusão de que os fatos sociais transcendem os indivíduos, e estão acima e fora deles, sendo, portanto,independentes do indivíduo em particular.
Coercitividade. As normas de conduta ou de pensamento são, além de externas aos indivíduos, dotadas de poder coercitivo, porque se impõem aos indivíduos, independente de suas vontades.
Quando, através da educação, aceitamos como válidas as maneiras de agir, de pensar e de sentir de nosso grupo, conformando-nos com elas, de bom grado, não sentimos essa coerção,pois ela se torna, então, inútil, o que não significa que deixe de existir. A força coercitiva aparece assim que tentamos opor resistência à mesma.
Exemplo: ao atingirmos determinada idade, possuindo as qualificações que a lei determina, se não quisermos exercer o direito e o dever de votar ou a obrigação de prestar serviço militar (referente ao elemento masculino, na maioria das sociedades),...
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