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TABU DO CORPO. Rodrigues JC. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2006. 154 pp.
ISBN: 857541-089-X.
A ficha catalográfica registra 1980 como o ano da primeira edição de Tabu do Corpo. Assim sendo, sua sétima reedição, já nesse novo milênio, traduz a importância de continuamente disponibilizar a gerações de estudantes, dedicados ao aprendizado das ciências sociais, um determinado momento da históriado pensamento brasileiro acerca das questões que envolvem, digamos assim, a construção social do corpo.
Não é somente, embora tal já fosse para lá de suficiente, ofertar ao público acadêmico um texto didática e intelectualmente bem escrito e pensado, mas permitir um exercício histórico reflexivo sobre os fundamentos da antropologia no Brasil, num momento em que de dentro da universidadebrasileira – sem querer fazer analogia com o título do livro – tabus começavam a ser quebrados e os sistemas de significações tomavam seu lugar e abriam novas sendas que iriam e continuam a ser percorridas desde então.
De saída, no que tange a tal aspecto, descobre-se em Rodrigues um tipo de associação entre sociologia e antropologia e entre essas e metapsicologia freudiana, fato que, para muitosortodoxos, sobretudo no que diz respeito à segunda, não passaria de um modismo passageiro que não traria nenhuma espécie de contribuição à solidificação e ao desenrolar de conhecimentos produzidos por tipos de ciências do homem, tingidas pelo empírico, expostas às contingências e que epistemologicamente envolvem o conjectural e a interpretação. Em História, por exemplo, da mesma maneira que naantropologia de Marcel Mauss, Margareth Mead, Mary Douglas e Lévi-Strauss, dentre outros gigantes que sustentam as proposições de Rodrigues, as pesquisas levadas a cabo por Peter Gay mais do que referendam uma aliança, e por intermédio dela um tráfego entre fronteiras disciplinares, incluindo-se a psicanálise, que hoje se sabe ser inevitável porque é de todo profícuo.
Em seguida, constata-se, exatamente emfunção do modelo epistemológico destas ciências, a necessidade da matizar os dados pela teoria, conscientes de que ingerências exteriores, de cunho das subjetividades individuais, atravessam todo o processo investigativo. Essa não é uma questão nova e, hoje mais do que antes, vem sendo muito equacionada e solidamente argumentada, mormente dentro de novos parâmetros como os estabelecidos porantropólogos como Rayna Rapp, diante de temáticas atuais como os aspectos sócio-culturais do processo saúde e doença e de seu impacto frente às mudanças trazidas pelos avanços relacionados ao emprego das técnicas de DNA recombinante e sua reverberação mais tangível: o Projeto Genoma Humano. O que cabe sublinhar é a atualidade da discussão levantada por Rodrigues no que tange a pontos e aposicionamentos imbricados nos trabalhos de campo, incluindo preciosas exposições em torno da assunção dos riscos que se colocam para os pesquisadores quando se tem a pretensão de moldar sistemas de perguntas e se centrar nelas, quando o melhor a fazer é deixar os sujeitos observados falarem e procederem da forma a mais livre e aberta possível.
Se na atualidade, a tecnologia fez implodir a separação entrenatureza e cultura, sujeito e objeto e assim por diante, como advogam teóricos como o francês Bruno Latour e a americana Donna Jay Haraway, no espaço/tempo histórico no qual Rodrigues escreveu seu livro, tais oposições serviam de base ao desenvolvimento do raciocínio e colocavam em cena noções-chave e caras ao pensamento das ciências sociais, como a de dialética. Se de alguma maneira já se aceitavaque a estruturação dicotômica era estreita e reducionista, a recuperação da dialética grega enfatizando a idéia de diálogo, de contraposição e contradição de idéias levando a outras idéias, e mais ainda, à consolidação do método dialético tendo como elementos de esquema básico a tese, a antítese e a síntese, sob a maior influência nas décadas que seguiram a Segunda Guerra Mundial da dialética...
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