Extratexto, intratexto e intertexto: uma proposta de leitura dialógica

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  • Publicado : 6 de novembro de 2011
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EXTRATEXTO, INTRATEXTO E INTERTEXTO: UMA PROPOSTA DE LEITURA DIALÓGICA

Claudimécia Brito TRANCOSO[1]

Resumo: A proposta é a de analisar alguns dos elementos intratextuais, extratextuais e intertextuais, estruturadores de diversos universos textuais, observando de que forma estes se interrelacionam e dialogam entre si, contribuindo para uma criação original, desvestida do velho ecristalizado aparato sígnico real. Pretende-se, ainda, analisar esses elementos presentes na Literatura Brasileira.

Palavras-chave: intratexto; extratexto; intertexto; literatura brasileira, dialogismo.

Introdução

Muitos são os mecanismos inseridos no universo da intertextualidade, capazes de estabelecer diálogos com o passado, com aspectos vindos, tanto de outros textos, quanto daprópria realidade, carregada de valores e ideologias. As vertentes intertextuais tanto do intratexto como do extratexto fazem parte desse rol de elementos dialógicos e, como tais, são alvo de diversos estudos.
No entanto, apesar da grande variedade de pesquisas sobre esses mecanismos intertextuais, pode-se dizer que ainda existem controvérsias entre os críticos, no que diz respeito àvaloração da obra e da relação que mantém com outros discursos literários.
Refletindo sobre a variedade de conotações que a intertextualidade pode assumir, este estudo pretende levantar dados diacrônico – históricos, que precedem o termo intertextualidade, e analisar a relação que existe entre o extratexto, o intratexto e o intertexto e de que forma esses elementos estão aplicados ao contextode determinadas obras brasileiras.
A partir de tal análise, objetiva-se mostrar os diversos valores incorporados pela intertextualidade. Valores esses que contribuem e muito para que a literatura e também as outras artes, sejam constituídas em grandes objetos artísticos, provando, assim, que muitos autores buscam em suas leituras, seja de mundo ou de escrituras de outrem uma desconstrução,seguida de recriação e estruturação da obra de arte, tornando-a una e transfigurada do “real”.

Percurso Diacrônico - histórico da Intertextualidade

Como o percurso que envolve o fenômeno da intertextualidade não é restrito, é necessário compreender um pouco como surgiu tal conceito, como se manifesta e quais são os aspectos deste mecanismo, que encontra no diálogo entre diferentestextos e discursos, o seu modo de conceber a composição textual. A intertextualidade (e suas mais variadas manifestações) faz parte do projeto época-texto, fator de alta relevância para as primeiras atribuições dos sentidos herdados de outros espaços textuais e que se fez produto de intertextualidade. Num resgate a uma concepção posterior, dita por Bakhtin (apud BRAIT, 2007), a resposta é que tudo quefala-se ou escreve-se já foi dito ou escrito anteriormente.
Contudo nada mais coerente, no universo intertextual, do que uma retomada aos gregos, para mostrar-se a tão questionada busca do já escrito, a fim de construir-se uma literatura que dialoga com o seu tempo, podendo ser compreendida a partir de seu contexto. Pode-se, então, começar com o plagium, palavra que é de origem grega,significando, primeiramente, a comercialização escravocrata de indivíduos livres ou de propriedade alheia. Posteriormente, passa-se a fazer parte de uma conotação voltada à literatura: no sentido de possuir ou vender um texto que não seja de autoria própria.
Segundo a definição de Edmundo Bergler(1989), o plágio significa: “adoção como própria da propriedade intelectual de outrem, sem que cite aorigem verdadeira” (apud TELES, 1989, p. 40). Os questionamentos em torno dessa forma de intertextualidade provêm de muito longe. Muitas acusações se fizeram presentes na história filosófico-literária. “Platão, por exemplo, acusou Eurípides de ter plagiado a filosofia de Anaxágoras, sendo que o próprio Platão não ficou isento dessa pecha” (idem, p. 41). Vários foram os plagiadores, ou pelo...
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