Excesso de rigor ou falta de ética?

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  • Publicado : 4 de abril de 2012
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Excesso de Rigor ou Falta de Ética?

Já presenciei várias situações envolvendo conflitos de professores e alunos acerca de critérios na correção de trabalhos. É verdade que o professor quase sempre se vê abarrotado de afazeres: trabalhos para corrigir, provas para elaborar, notas a lançar etc. Mas o que percebo em muitos profissionais da sala de aula é que eles não corrigem os trabalhoscomo deveriam. Usam muitas vezes critérios duvidosos de correção fazendo pré-julgamentos do aluno e avaliando o seu trabalho tendo como base o seu comportamento em sala de aula. Como se apenas os alunos participativos fossem capazes de criar excelentes trabalhos e escrever bons textos. Se levarmos em consideração este ponto de vista, podemos concluir que alunos retraídos ou inquietos sãoincapazes de fazer bons trabalhos e tirarem notas altas. Essa visão é arcaica e extremamente conservadora.
O professor que faz esse pré-julgamento do aluno tende a agir com indiferença e, muitas vezes, nem sequer lê o trabalho; quando muito, passa os olhos rapidamente e quando, mesmo assim, consegue identificar boas obras faz correções equivocadas como o meu exemplo que após ter um textocorrigido fui acusado de plágio.
Sempre fui um aluno quieto, pouco participativo e raras foram as vezes em que questionei o professor sobre alguma explicação errônea ou algum ponto de vista, a meu ver, equivocado; sempre fui assim, a minha vida inteira fui muito estudioso, mas sempre optei por absorver informações do mundo e poucas foram as vezes em que senti prazer em transmitir conhecimento.Por muito tempo odiava debates e por muitas vezes fiz trabalhos horríveis porque sabia que se fizesse como queria não iria conseguir uma boa nota, sabia que teria que agradar o professor para não ser reprovado, pois achava mais fácil assim do que “brigar” pelos meus direitos e defender minhas ideias. Hoje, contudo, estou mudado, tenho orgulho de trabalhar como professor, mesmo que não sejaefetivado, pois ainda não sou formado, mas logo estarei e serei um profissional da área da educação como meu avô e minha mãe. Acho que descobri o que quero fazer a minha vida inteira, mesmo sendo uma profissão tão desgastante. Aquele garoto quieto e pouco participativo aos poucos tem se tornado um questionador, rebelde e um sonhador.
Lembram-se do texto supostamente plagiado? Pois bem, depois deargumentar e pedir explicação para o professor, consegui uma retratação e um pedido de desculpas por escrito, pois até mesmo o ele não soube dizer de onde o texto foi tirado. Recordo-me que seu argumento foi que o trabalho não estava feito como foi pedido e que fugi do foco do assunto; quando rebati dizendo que isso não tem nada haver com a denúncia de plágio e que entre uma coisa e outra há umadiscrepância muito grande, ele disse que na internet existem vários textos com pontos semelhantes, rebati novamente dizendo que queria ver estes, supostos, textos com os tais pontos semelhantes, mas ele não mostrou. Claro que não mostraria, pois subestimou minha capacidade e achou que eu não tinha competência de escrever um texto como aquele, então concluiu equivocadamente que fiz uma cópia.Até concordo que alguma coisinha semelhante ele deve ter encontrado (semelhante; não igual), mas isso é óbvio, vivemos em uma sociedade conectada, ninguém tem um pensamento tão diferente que não exista outras pessoas que não compartilhem de suas teses e ideias, ninguém carrega uma subjetividade única, se existe pessoa assim o mundo rapidamente a julga como insana, maluca, doida etc. Com avelocidade das comunicações; a facilidade de pesquisar na internet, ressalto aqui o Google, pois acredito que essa ferramenta faz com que tenhamos um conhecimento muito coletivo e não nos difere tanto assim uns dos outros, todas as pessoas podem tomar posse dos assuntos mais atuais do mundo todo, e a tendência é que as pessoas tenham um conhecimento muito semelhante, cabendo aos estudiosos a tarefa...
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