Eu sou o numero 4

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EU SOU O NÚMERO QUATRO
OS LEGADOS DE LORIEN PITTACUS LORE
TRADUÇÃO DE DÉBORA ISIDORO

OS EVENTOS NESTE LIVRO SÃO REAIS. NOMES E LUGARES FORAM MODIFICADOS PARA PROTEGER OS SEIS LORIENOS, QUE CONTINUAM ESCONDIDOS. CONSIDEREM ISSO COMO UM PRIMEIRO AVISO. OUTRAS CIVILIZAÇÕES EXISTEM. E ALGUMAS QUEREM DESTRUIR VOCÊS.

A PORTA COMEÇA A TREMER. É FRACA, FEITA DE BAMBUS PRESOS POR PEDAÇOS decorda desfiada. O tremor é sutil e para quase imediatamente. Eles levantam a cabeça para ouvir, um garoto de quatorze anos e um homem de cinquenta, que todos pensam ser pai dele, mas que nasceu perto de uma selva diferente em um planeta diferente a centenas de anos-luz dali. Os dois estão deitados sem camisa em lados opostos da cabana, cada catre coberto por um mosquiteiro. Ouvem um barulho distante,como se um animal quebrasse o galho de uma árvore — mas, nesse caso, era como se a árvore inteira estivesse sendo quebrada. — O que foi isso? — pergunta o garoto. — Shhh — o homem responde. Eles ouvem o ruído de insetos, nada além. O homem começa a se levantar quando o tremor reinicia. Dessa vez é mais longo, mais firme, e há outro estrondo, mais próximo. O homem fica de pé e caminha lentamenteaté a porta.

Silêncio. Ele respira fundo e estende a mão até o trinco. O garoto se senta. — Não — o homem cochicha, e nesse instante a lâmina longa e brilhante de uma espada feita de um metal branco e luminoso, que não é encontrado na Terra, atravessa a porta e penetra profundamente em seu peito. Quinze centímetros de lâmina projetam-se de suas costas e a espada logo é puxada de volta. O homemgrunhe. O menino perde o fôlego. O homem respira fundo e diz uma única palavra: — Fuja. Então cai sem vida no chão. O garoto pula do catre e atravessa a parede dos fundos. Ele não se incomoda com a porta ou a janela: literalmente se arremessa contra a parede, que se rompe como se fosse de papel, embora seja de mogno-africano, sólido e resistente. Ele mergulha na noite do Congo, salta por cima dasárvores e corre a cerca de noventa quilômetros por hora. Sua visão e sua audição vão além do limite humano. Ele se desvia de árvores, atravessa entre os cipós entrelaçados e cruza riachos com apenas um salto. Passadas pesadas soam atrás dele, mais perto a cada segundo. Os perseguidores também têm dons. E têm algo consigo. Algo de que ele só tinha ouvido falar, algo que ele nunca achou que veria naTerra. O barulho está mais próximo. O garoto ouve um rugido grave e intenso. Ele sabe que aquilo que o persegue está ganhando velocidade. E vê uma clareira mais à frente, na selva. Quando a alcança, nota um barranco enorme, um precipício de noventa metros de largura e noventa de profundidade, com um rio no fundo, em cuja margem há pedregulhos enormes, que o arrebentariam se caísse ali. A única opçãoé saltar o precipício. Ele vai ter pouco espaço

para correr e ganhar impulso, e uma única chance. Uma chance para salvar a própria vida. Até mesmo para ele, ou para qualquer um dos outros na Terra que são como ele, o salto é quase impossível. Recuar, descer a encosta ou tentar enfrentá-los seria morte certa. Ele tem uma tentativa. Um rugido ensurdecedor soa atrás dele. Os perseguidores estãode seis a nove metros de distância. Ele recua cinco passos, corre... e, pouco antes da beirada do precipício, salta e atravessa a garganta voando. São três ou quatro segundos no ar. Ele grita, os braços estendidos para a frente, esperando pela segurança ou pelo fim. Chega ao chão e cai rolando, parando aos pés de uma árvore gigantesca. Ele sorri. Não acredita que conseguiu, que vai sobreviver.Para não ser visto pelos perseguidores, e ciente de que precisa se afastar ainda mais, o garoto se levanta. Deve continuar correndo. Ele se vira para a selva. Ao fazer isso, sente a mão enorme se fechando em torno de seu pescoço. Ele é erguido do chão. Luta, se debate, esperneia, tenta se libertar, mas sabe que é inútil, que acabou. Deveria imaginar que eles estariam dos dois lados, que quando o...
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