Etica - a crise dos valores na modernidade

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  • Publicado : 10 de maio de 2011
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ÉTICA E TRABALHO

A CRISE DOS VALORES NA MODERNIDADE
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O CONHECIMENTO

O pressuposto básico que orienta a consciência moral e, portanto, o exercício da liberdade é o conhecimento. Com isso queremos dizer que o homem ignorante, dotado de uma consciência ingênua, imediatista e simples age determinado por necessidades particulares. Ele não problematiza, não põe em questão arealidade a sua volta. Logo, não exercita sua liberdade de escolha, de decisão.

O termo ignorância é aqui usado para indicar ausência de conhecimento, falta de informações, de dados que permitam ao indivíduo tomas uma posição coerente com a situação com a qual se depara.

Mas é importante saber que, se por um lado somos seres determinados biologicamente e socialmente, por outro podemos decidirfazer escolhas modificar o já existente.
E como é que convivemos com essa situação que parece tão contraditória?
Com clareza identificamos certas determinações vindas do nosso próprio corpo. Ele exige que suas privações e carências sejam atendidas. Não podemos, por exemplo, nos privar de comer, espirar, reproduzir, herdar e transmitir características genéticas.

Do mesmo modo é irrecusável ofato de que nascemos numa certa época histórica, numa cultura (com seus valores e crenças), num país ( com suas circunstâncias política e econômica), numa família. Somos todos ocidentais, fazendo a passagem para o terceiro milênio, vivendo a revolução tecnológica. Some-se a isso a herança das culturas índia e negra, o fato de que vivemos num país em fase de desenvolvimento – mas parte do terceiromundo – moramos numa metrópole ou no interior e pertencemos a uma família pobre ou de classe média.
Essa primeira ordem de conhecimento é fundamental ao exercício da liberdade. Somente o homem consciente de suas determinações ( limitações, obstáculos) pode exercer sua consciência crítica e, por meio dela modificar a ordem existente, escolher viver não da forma que está posta, mas de outra.
Vejasó: por natureza o homem não tem asas, mas isso não o impede de voar, não tem nadadeiras como os peixes, mas nada; não tem a força do leão, mas levanta pesos imensos. Tudo isso não é natural, tudo isso foi construído, é o mundo do conhecimento, das idéias, das representações, da ação transformadora do homem sobre a natureza.
“ Pense, ainda, no exemplo do bacilo da tuberculose, que até a décadade 50 matava as pessoas. Quando o bacilo foi identificado, quando se conheceu a causa da doença pôde-se combatê-la, libertando milhares de pessoas da morte. Assim será com a AIDS, com o câncer e outras moléstias que hoje nos ameaçam.
O desafio da liberdade diante da natureza passa sempre pelo conhecimento da determinação ( daquilo que é uma limitação, um obstáculo). Isso significa que podemosmudar a realidade ou nos submeter a ela, mas qualquer dessas opções é um ato de consciência crítica, de exercício da liberdade e portanto de cidadania.
É também pelo conhecimento que podemos exercer nossa responsabilidade moral: aquele que ignora as circunstâncias, a natureza ou as conseqüências de suas ações não pode ser responsabilizado por elas. Por isso, a ignorância é um fator que isenta oindividuo de responsabilidade moral.
Pensemos num acontecimento recente que abalou o país : o caso do césio 137, elemento radioativo que provoca danos muito graves – as vezes fatais – quando espalhado no meio ambiente. Vendido para um ferro velho na cidade de Goiânia, estado de Goiás, um aparelho de raio X foi ali desmontado. Movido pela curiosidade, um dos empregados do ferro velho quebrou a cápsulade césio 137 que fica no interior do aparelho, muito bem protegida, justamente para evitar a contaminação radioativa. Isso provocou danos irreparáveis naqueles que estiveram sob seu efeito e caracterizou uma tragédia de proporções ainda não completamente avaliadas, já que a radioatividade produz efeitos a longo prazo. Podemos atribuir a responsabilidade desse feito ao trabalhador do ferro...
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