Estudos disciplinares

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  • Publicado : 5 de junho de 2012
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No Brasil, anualmente são registrados 49 mil novos casos de câncer de mama e boa parte destas mulheres irá passar pelo sofrimento da retirada da mama, que leva com ela sua autoestima. Destes novos casos, 25% vêm a óbito, 10 pontos percentuais acima da média norte-americana.
Para reduzir este elevado índice de mortalidade, são recomendados, inicialmente, tratamentos preventivos e, posteriormente,condutas terapêuticas dinâmicas e ativas que aqui chamaremos de modelo curativo. Neste modelo, o tratamento geralmente é agressivo, com o objetivo de cura ou remissão. Quando a doença já se apresenta em estágio avançado ou evolui para esta condição mesmo durante o tratamento com intenção curativa, a abordagem paliativa deve entrar em cena no manejo dos sintomas de difícil controle e de algunsaspectos psicossociais associados à doença. Na fase terminal, em que o paciente tem pouco tempo de vida, o tratamento paliativo se impõe para, através de seus procedimentos, garantir qualidade de vida.
O modelo paliativo é centrado no paciente em si, tendo como essência não apenas a atenção às necessidades físicas, mas também às necessidades psicológicas e espirituais dos pacientes. Segundo adefinição da Organização Mundial de Saúde, “Cuidados Paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar (médico, enfermeiro, fisioterapeuta, assistente social, psicólogo, nutricionista e terapeuta ocupacional, sendo cada profissional responsável pelas condutas dentro de sua área de competência), ativa e integral a pacientes cuja doença não responde mais ao tratamentocurativo, sendo o principal objetivo a garantia da melhor qualidade de vida, tanto para o paciente quanto para seus familiares, através do controle da dor e demais sintomas, em suas dimensões psicossociais e espirituais”.

Os Cuidados Paliativos visam garantir melhor qualidade de vida, controle da dor e demais sintomas, além de facilitar a desospitalização. Deve ainda contribuir para reduzir arealização de exames complementares quando os resultados não mudam a terapia, evitar o uso de terapias ineficazes e potencialmente danosas aos pacientes, enfatizar o tratamento domiciliar em detrimento do tratamento hospitalar, preparar os cuidadores para a realização, em ambiente domiciliar, de cuidados antes restritos às instituições e estruturar o acesso à distribuição e à dispensação de insumos emedicamentos necessários à manutenção do paciente no seu domicílio.

Infelizmente, dentro da própria classe médica não há um consenso a respeito do tratamento paliativo. Para muitos médicos, quando os recursos terapêuticos do modelo curativo se esgotam, os pacientes são identificados como “perdedores” e que “nada mais pode ser feito”, estabelecendo-se nesse momento o início de uma morte socialantecipatória a uma morte biológica. O final da terapia direcionada ao tumor não significa final de tratamento ativo, significa apenas mudanças em objetivos de tratamento. Com a incurabilidade das doenças e consequentemente sua progressão, os pacientes evoluem com uma gama devastadora de sintomas de ordem física, emocionais e psicológicas de forma dinâmica e ativa, o que requer a necessidade dediagnóstico precoce e terapêuticas paliativas também dinâmicas e ativas, respeitando-se os limites do próprio paciente frente a sua situação de incurabilidade.
Há uma lacuna na formação de médicos e profissionais de saúde em Cuidados Paliativos, essencial para o atendimento adequado, devido à ausência de residência médica e a pouca oferta de cursos de especialização e de pós-graduação de qualidade, o quevem a dificultar o tratamento, visto que profissionais de saúde qualificados são essenciais para a sua aplicação.
Lamentavelmente, obter um atendimento médico decente, que satisfaça as necessidades da população está cada vez mais difícil. O que se vê é o caos na saúde pública em que enormes filas se formam em postos de saúde e hospitais que apresentam equipamentos sucateados ou inexistentes,...
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