Estudos culturais na america latina

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Algumas discussões – os Estudos Culturais
na América Latina e a pós-modernidade

Por outro lado, uma questão como as relações
entre os EC e a pós-modernidade também está no fulcro
dos debates, uma vez que – em certos círculos –
os Estudos Culturais teriam aparecido como “o âmbito
específico e exclusivo da discussão relativa ao tema
pós-modernidade – ao menos para muitos analistasteóricos e grupos de leitores” (idem, p. 2). Em interessante
discussão sobre a presença ou ausência das
discussões mais filosóficas da pós-modernidade dentro
dos EC realizados na América Latina, o citado
autor (2000)22 observa que não encontra dentro dos
mesmos uma discussão aprofundada ou demorada, de
cunho filosófico, sobre a pós-modernidade. Para usar
suas palavras:
[...] nada disso[referências a Nietzsche, Heidegger, Derrida,
Vattimo, Baudrillard, Lipovetski] aparece nos estudos culturais
e isso é simplesmente porque esses últimos são estudos
do que há no pós-moderno, mas não “sobre” o pósmoderno.
São estudos sobre identidades, sobre comunicação,
sobre teoria literária e sua relação com a cultura ou
sobre os modos de constituição do nacional ou do internacional/
compartilhado.Porém seu objeto explícito não é o
moderno/pós-moderno, mas a cultura contemporânea, a qual
está, obviamente, atravessada pelos efeitos da passagem do
moderno ao pós-moderno. (p. 7)
O referido autor efetua um detido exame das
superposições, encontros e desencontros das reflexões
sobre a pós-modernidade e as realizadas pelos EC na
América Latina. Para ele, “o pós-moderno não se entende
semos Estudos Culturais nem se entende somente
com eles”, assinalando também a fecundidade das
temáticas que os EC trouxeram para exame, temáticas
que não haviam aflorado em autores “filosóficos”. As
temáticas do tempo presente, como a bastante explorada
questão da cultura juvenil, das bandas de rock, do
fanatismo esportivo, ou da música salsa, trazidas à boca
de cena pelos estudos culturais(embora não apenas
por estudos que, nominalmente, se filiem a eles) na
América Latina, revitalizaram a reflexão sobre as contingências,
articulações e buscas de compreensão da
pós-modernidade em nosso continente.
Em contrapartida, alguns desenvolvimentos “filosóficos”
relativos à pós-modernidade que cobrem
importantes aspectos teóricos, como o status do pósmoderno,
a relação com amodernidade, com o modernismo,
com a modernização, com as temáticas do
sujeito e das ciências, ou não são tematizados nos trabalhos
de EC ou o são apenas de passagem (Follari,
2000, p. 6). Para o autor, efetivamente se observa uma
certa exterioridade de cada campo em relação ao outro
– um se debruçando sobre a cultura do pós-moderno
e outro propondo uma teorização específica
sobre a pós-modernidade;ultrapassar tal alheamento
mútuo, observa ele, ensejaria um “mútuo fecundamento
conceitual”.
Alguns questionamentos relativos aos EC na
América Latina parecem advir justamente do entendimento
de que eles deveriam propor um entendimento
universalizante, ou melhor, parecem resultar da
percepção do visceral enlace dos EC com os discursos
da fragmentação e relativismo típicos dapós-modernidade.
Neste sentido, vale a pena dar voz às inquietações
de Canclini (1997a):
Quando menciono paradigmas ou modelos não estou
regressando ao cientificismo que postulava um saber de validade
universal, cuja formalização abstrata o tornaria aplicável
a qualquer sociedade e cultura. Mas tampouco me
parece satisfatória a complacência pós-moderna que aceita
a redução do saber a narrativasmúltiplas. Não vejo por que
abandonar a aspiração de universalidade do conhecimento,
a busca de uma racionalidade interculturalmente compartilhada
que dê coerência aos enunciados básicos e os contraste
empiricamente. Foi esse tipo de trabalho que colocou
de forma clara que diferentes culturas possuem lógicas e
estratégias diferentes para ter acesso ao real e validar seus
22 Roberto Follari é...
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