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JORGE AMADO GABRIELA, CRAVO E CANELA Nota sobre o autor Nascido a 10 de Agosto de 1912, em Itabuna, no sul do Estado da Bahia, Jorge Amado, nasceu, como dizia sua mãe, «com a estrela»: um homem afortunado. Seu pai queria que o filho fosse doutor, e ser doutor naqueles tempos era formar-se em Medicina, Engenharia ou Direito. Jorge Amado, que desde os catorze anos participava em movimentosculturais e políticos, optou por Direito. Fez a vontade ao pai, mas não foi buscar o diploma e local, morena mais para gorda, muito dada às festas de igreja, e o dr Osmundo Pimentel, cirurgião-dentista chegado a Ilhéus há poucos meses, moço elegante, tirado a poeta. Pois, naquela manhã, antes da tragédia abalar a cidaus interesses com a partida de Filomena, esquecia tais preocupações, voltando-se porinteiro para os comentários do duplo assassinato. Modificava-se a fisionomia da cidade, abriam-se ruas, importavam-se automóveis, construíam-se palacetes, rasgavamse estradas, publicavam-se jornais, fundavam-se clubes, transformava-se Ilhéus. Mais lentamente porém evoluíam os costumes, os hábitos dos homens. Assim acontece sempre, em todas as sociedades. PRIMEIRA PARTE Aventuras e desventuras de umbom brasileiro (nascido na Síria) na cidade de Ilhéus, em 1925, quando florescia o cacau e imperava o progresso com amores, assassinatos, banquetes, presépios, histórias variadas para todos os gostos, um remoto passado glorioso de nobres soberbos e salafrários um recente passado de fazendeiros ricos e afamados jagunços, com solidão e suspiros, desejo, vingança, ódio, com chuvas e sol e com luar,leis inflexíveis, manobras políticas, o apaixonante caso da barra, com prestidigitador, dançarina, milagre e outras mágicas ou um brasileiro das arábias. CAPÍTULO PRIMEIRO O langor de Ofenísia (que muito pouco aparece mas nem por isso é menos importante). Neste ano de impetuoso progresso... (de um jornal de Ilhéus, em 1925) RONDÓ DE OFENÍSIA Escutai, ó meu irmão, Luiz Antônio, meu irmão: Ofenísia navaranda na rede a se balançar.O calor e o leque,a brisa doce do mar, mucama no cafuné. Já ia fechar os olhos o monarca apareceu:barbas de tinta negra, ó resplendor!O verso de Teodoro,a rima para Ofenísia, o vestido vindo do Rio, o espartilho, o colar, mantilha de seda negra, o sagüi que tu me deste, tudo isso de que serve Luiz Antônio, meu irmão? São brasas seus olhos negros, (– São olhos doimperador!) incendiaram meus olhos. Lençol de sonho suas barbas (– São barbas imperiais!) para o meu corpo envolver. Com ele quero casar (– Com o rei não podeis casar!) com ele quero deitar em suas barbas sonhar. (–Ai, irmã, nos desonrais!) Luiz António, meu irmão, que esperais pra me matar? Não quero o conde, o barão, senhor de engenho não quero, nem os versos de Teodoro, não quero rosas nem cravosnem brincos de diamante. Tudo que quero são as barbas tão

negras do imperador! Meu irmão, Luiz Antônio,da casa ilustre dos Ávilas, escutai, ó meu irmão: se concubina não for do Senhor imperador nessa rede vou morrer de langor. DO SOL E DA CHUVA COM PEQUENO MILAGRE Naquele ano de 1925, quando floresceu o idílio da mulata Gabriela e do árabe Nacib, a estação das chuvas tanto se prolongara além donormal e necessário que os fazendeiros, como um bando assustado, cruzavam-se nas ruas a perguntar uns aos outros, o medo nos olhos e na voz: – Será que não vai parar? Referiam-se às chuvas, nunca se vira tanta água descendo dos céus, dia e noite, quase sem intervalos. – Mais uma semana e estará tudo em perigo. – A safra inteira... – Meu Deus! Falavam da safra anunciando-se excepcional, a superarde longe todas as anteriores. Com os preços do cacau em constante alta, significava ainda maior riqueza, prosperidade, fartura, dinheiro a rodo. Os filhos dos coronéis indo cursar os colégios mais caros das grandes cidades, novas residências para as famílias nas novas ruas recém-abertas, móveis de luxo mandados vir do Rio, pianos de cauda para compor as salas, as lojas sortidas, multiplicando-se,...
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