Estudo de caso

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A ESCOLA PROFa ODISSÉIA DE ALBUQUERQUE

Maria José acordou cedo, como, aliás, já estava bastante acostumada a fazer. A tensão que sente, acompanhada de um leve "frio na barriga", não é a de um dia "normal" de trabalho. Sim, pois hoje realmente não é o que se poderia chamar de "um dia comum". É o dia em que assumirá seu posto de diretora da Escola Profª Odisséia de Albuquerque Mariano,conhecida por todos somente por Odisséia.
Pelas informações que procurou obter no período de escolha, a Odisséia é uma escola com aproximadamente 1.700 alunos, situada em uma comunidade pobre, com problemas de violência e histórico de algumas agressões. Opera em quatro turnos, com quinze salas de aula, e ocupação média de 33 alunos por sala.
Maria José está ansiosa mais pelo fato de,apesar de sua já considerável experiência na rede de ensino, nunca haver ocupado o cargo de Diretora de Escola. Mas, pelo menos, quase todas as siglas ela já conhece...
Ela não está iludida quanto às dificuldades que irá enfrentar. Sua experiência na rede foi suficiente para saber das restrições materiais, financeiras e de pessoal com que vai ter de lidar no novo cargo. Por ora, já a caminho daescola, ela espera apenas ser bem recebida pela equipe em seu primeiro dia de trabalho...
Depois da demorada viagem até a Odisséia, Maria José chega à escola. Vencido o pequeno contratempo para abrir o portão e poder estacionar o carro, entra na escola e procura falar primeiramente com a professora Ivete, a vice-diretora.
Maria José dirige-se à secretaria para perguntar por Ivete. Nocaminho, foi impossível não notar um cartaz colocado logo acima da grade de ferro que protege a secretaria, que diz algo parecido com:

IMPORTANTE
DESACATAR FUNCIONÁRIO PÚBLICO NO EXERCÍCIO DE SUAS FUNÇÕES É CRIME PASSÍVEL DE PENA DE PRISÃO (ART...)

Maria José entra na secretaria e encontra três pessoas trabalhando. Trabalhando, aliás, parece expressão aplicável somente a umadas pessoas, provavelmente a Secretária da Odisséia, que parecia estar dando andamento a um processo. Uma Segunda funcionária falava ao telefone e tomava nota do que parecia ser uma receita de sobremesa. Quase salivava... A terceira comia um pedaço de pão e tomava café, provavelmente o desjejum que não teve tempo de fazer em casa. Por ser a única que não tinha ouvidos e boca ocupados, Maria Josédirigiu-se à mesa da Secretaria e parou a sua frente, como indicando que gostaria de perguntar-lhe algo. Nenhuma reação... Ela sequer levantou a cabeça dos papéis que examinava.
Diante da reação (ou falta de reação) da secretária, Maria José interrompeu-a, dizendo:
_ Bom-dia, meu nome é Maria José, Sou a nova Diretora.
_ Prazer, sou a secretária escolar - respondeu, indiferente, voltando abaixar os olhos para o processo.
Maria José teve uma sensação ruim. Além da recepção indiferente da Secretária, também as outras duas funcionárias que estavam na secretaria pareciam não notar sua presença. Teve então, de tomar nova iniciativa:
_ Qual é o seu nome?
_ Regina
_ Sei que está muito ocupada, Regina, mas será que poderia ajudar-me a encontrar aprofessora Ivete?
_ A diretora? Sim, claro. Basta virar totalmente à esquerda. É a última sala do corredor, à direita. Pode aguardar lá. Se ela não chegou até agora, talvez esteja na Diretoria regional ou em algum treinamento, não sei ao certo, disse Regina, voltando ao trabalho.
_ Obrigada pela atenção, respondeu Maria José, que, na verdade, não sentira muita atenção na forma como foirecebida.
Foi para a sala de Ivete, refletindo sobre seu primeiro contato com parte da equipe. Sentia-se constrangida pelo desprezo com que foi tratada. Não parecia ser a diretora concursada, mas quase uma intrusa, uma estranha que veio quebrar o equilíbrio num ambiente que já estava acomodado.
Sentou-se na sala de Ivete e, enquanto esperava, teve mais quarenta minutos para pensar na...
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