Estudo de caso-contaminante metanol

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Estudo de Caso de Vigilância Sanitária



Um dia de Festa e de intoxicações e mortes por metanol
Adaptado de Traffani, Arnaldo; Conrado, José Geraldo Lupato: Um dia de festa. E de intoxicação e mortes por metanol In: Marques, Maria Cristina; Diniz, Elizeu; Carvalho, Marisa Lima; Pereira, Sheila Duarte. Casos e fatos da vigilância sanitária sobre a saúde da sociedade. São Paulo, SOBRAVIME,2002. p.275-284.



Adaptado por: Renan Ferreira Veltman Marcelly de Freitas Gomes
Bianca Ramos Marins



Em uma noite de 1992, no período de Natal, a estudante de Direito Andréia Vicente, 21 anos, durante uma comemoração com amigos, escapou da morte, com um diagnóstico feito no Hospital Beneficência Portuguesa de Santo André. A gravidade do seu quadro, comprovada principalmente por náusea,dor de cabeça, dor de estômago e transtornos de visão foi logo percebida pelos amigos que a levaram para casa e, consequentemente ao Hospital. O exame de ressonância nuclear magnética indicou lesões nas fibras ópticas, substância branca na parte superficial do cérebro e nas células da retina, com perda parcial da visão. Assim como Andréia, por ingerir bebidas alcoólicas na forma de coquetéis oubatidas, outros quatro jovens tiveram o destino diferente do que imaginaram ao ir à danceteria: nas declarações de óbito constava causa da morte intoxicação por metanol.
Foram intoxicadas na ocasião 214 pessoas, e 155 destas ingeriram bebidas com metanol, segundo o pronto-socorro do Hospital Público de Diadema. E dois dias depois de terem ido à danceteria, onde beberam o coquetel “bombeirinho”(mistura de vodca com groselha e suco de limão), mais 15 pessoas foram internadas no hospital de Diadema, por estarem intoxicadas pelo produto. O caso chegou ao Centro de Vigilância Sanitária (CVS), e foi notificado pela imprensa e amplamente divulgado em rádio e televisão. Foi determinado um trabalho conjunto das Vigilâncias Sanitárias estadual e municipais, com apoio da Secretaria de SegurançaPública, por meio da Polícia Civil e Militar, que dariam cobertura e proteção ao trabalho em locais a ser inspecionados.
Em razão das características e dos sintomas apresentados pelas pessoas internadas, suspeitou-se que poderia ser intoxicação por metanol, o que ficou confirmado em exame laboratorial (sangue). Conforme os acontecimentos foram se desdobrando e a gravidade do caso se configurando, asVigilâncias Sanitárias estadual e municipais receberam a colaboração de outros profissionais de saúde, como enfermeiros e médicos, de prontos-socorros, hospitais, e de outros segmentos como segurança pública, delegados, procuradores e dos meios de comunicação, no sentido de esclarecer a população, evitando-se agravos à saúde.
As câmaras Municipais de Santo André e de Diadema também apoiaram, assimcomo os sindicatos de trabalhadores do ABCD. Considerando o grande número de pessoas intoxicadas e mortas, o CVS convocou reunião com técnicos profissionais para tratar especificamente desse fato: bebidas alcoólicas contaminadas por metanol. Nessa reunião, os técnicos discutiram e analisaram a situação, visando a adotar estratégias imediatas para prevenir maiores danos à saúde da sociedade.
Pelainvestigação policial descobriu-se que o fornecedor da bebida era Carlos Alberto Vertematti, que adquiria o álcool metílico de outro fornecedor: a Ibiraquímica, empresa sediada em São Paulo. A investigação comprovou a mistura de álcool com um aroma artificial de vodca. O indivíduo fornecia aos fregueses, aos proprietários de bares, boates, ambulantes, aos barcos ancorados nas represas da região ea outros. A venda era feita sem emissão de notas fiscais, infringindo a Lei n° 8.078, de 11 de setembro de 1990, oCódigo de Defesa do Consumidor.
As amostras de bebidas recolhidas nos estabelecimento foram enviadas para análise fiscal, com inutilização do estoque do produto. A Vigilância Sanitária informou à delegacia de policia local o nome e o endereço do responsável pelo estabelecimento....
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