Estrangeirismo

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  • Publicado : 14 de maio de 2012
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LINGUAGEM JURÍDICA

ESTRANGEIRISMO

Estrangeirismo ou peregrinismo é o uso de palavra, expressão ou construção estrangeira que tenha ou não equivalente vernácula, ou seja, é o nome que se dá à língua nativa de um país ou de uma localidade em vez da correspondente em nossa língua. É apontada nas gramáticas normativas como um vício de linguagem, o que, há muito, é tido como uma visão simplistapor diversos linguistas, como Marcos Bagno, da UnB, John Robert Schmitz, da UNICAMP, e Carlos Alberto Faraco, da UFPR.
Esta “invasão” de palavras estrangeiras – quase sempre de palavras inglesas – costuma provocar de tempos em tempos, reações fortes de pessoas que se dizem “guardiãs da língua”, “defensoras do vernáculo”, contra a “descaracterização completa que a língua portuguesa estasofrendo”.
Não é uma atitude nova. No fim do Século XIX, houve um movimento bastante agressivo na impressa contra a terrível invasão dos galacismos, isto é, palavras francesas – a França na época, exercia a influência cultural que hoje exercem os Estados Unidos. Protestava-se com veemência contra a “grave ameaça” de palavras como abat-jour, garage, garçon, chouffeur que estava corrompendo a verdadeiralíngua portuguesa. N a época de Machado de Asis, nosso grande escritor, ironizava, em crônicas, esses “guardiães da pureza da língua”.
Hoje convivemos pacificamente com abajur, garagem, gorçon, chofer (que, aliás, ja caiu em desuso, substituído por motorista). Esse exemplo deixa bem claro como o próprio uso vai depurando o processo, isto é, que vocábulos estrangeiros vão ser definitivamenteincorporados e quais, depois de certa flutuação, serão abandonados.
Esses movimentos de suposta “defesa da língua” são, na verdade, frutos de uma profunda ignorância linguística , somada a um certo oportunismo politíco, esse é um terreno fértil: todo mundo se sente inseguro em questões da língua, e então qualquer coisa que denuncie a destruição da linguagem ou alvo de semelhante acaba sendo recebida compalmas.
O estudo histórico das línguas mostra fatos fundamentais a considerar sobre a influência estrangeira na linguagem. O primeiro é que as línguas se enriquecem pelo mútuo contato. Não há nenhum caso de língua que tenha se descaracterizado pelo contato com outras. Ao contrário, só há enriquecimento. Como as culturas são necessariamente híbridas, as línguas são, todas elas, caracterizadastambém pela hibridização vocabular.
Por vezes, o estrangeirismo pode ser considerado uma figura de linguagem também, contanto que a palavra estrangeira exista e seja usada frequentemente ou tenha popularidade no dialeto.
O português brasileiro ainda se enriqueceu com empréstimos da italiano, do alemão, do holandês, das línguas eslavas, do japonês, do árabe, em decorrência maciça chegada dosimigrantes. No caso do inglês, incorporamos nos últimos 100 anos desde o vocábulario do futebol, até a terminologia da informática e do setor financeiro. Há um cálculo que estima em quatro centenas as palavras de origem inglesa presentes no português. É interessante destacar que o vocabulário do português tem algo em torno de 500 mil palavras.
Diante dos exemplos, mais evidente ainda fica o ridículo detentar controlar a entrada de palavras estrangeiras. Mas há ainda outro detalhe importante: observe que a importação de palavras esrangiras não modifica a estrutura gramátical da língua.
As línguas sao abertas em seu vocabulário, enriquecendo-o continuamente, e bastante fechadas em sua organização. A organização gramátical também se modifica ao longo do tempo, mas antes por uma lógica interna daprópria língua que por pressão de sistemas gramaticais estrangeiros.
Desde sua primeira formulação pelo gramático romano Varrão (séc. I a.C.) e só veio e só veio encontrando reforço à medida que a ciência da linguagem se desenvolveu. De forma simples, podemos dizer que quem faz a língua são seus falantes.

Expressões Latinas encontradas em periódicos do curso de Direito:
Habeas corpus...
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