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406 palavras 2 páginas
O Farrista

Quando o almirante Cabral
Pôs as patas no Brasil
O anjo da guarda dos índios
Estava passeando em Paris.
5 Quando ele voltou de viagem
O holandês já está aqui.
O anjo respira alegre:
"Não faz mal, isto é boa gente,
Vou arejar outra vez."
10 O anjo transpôs a barra,
Diz adeus a Pernambuco,
Faz barulho, vuco-vuco,
Tal e qual o zepelim
Mas deu um vento no anjo,
15 Ele perdeu a memória...
E não voltou nunca mais.

Os heptassílabos acima de Murilo Mendes fazem parte de seus poemas sobre a história do Brasil, fazendo este, que agora abordamos, alusão ao descobrimento, como fica claro nos dois primeiros versos que se referem à chegada de Cabral.

O poema, calcado num fato histórico, é todo movimento. É Cabral que chega, é o anjo que vem, vai de novo, transpõe a barra e não retorna mais, é o vento que dá no anjo, é o holandês que dá as caras por aqui. Além disso, a intensidade de movimentação daquele momento histórico é capturado pela alusão a Portugal, França e Holanda, além, é claro, do Novo Mundo. É o período das grandes navegações e, talvez por isso, o anjo também é viajante. É um anjo bem inserido em seu tempo, atualizado, moderno como um zepelim mais que como uma caravela, porque o zepelim pode ser uma caravela que voa e, portanto, uma metáfora quiçá mais apropriada à figura do anjo.

Quanto aos acontecimentos do poema, temos o Cabral(ão) pondo “as patas no Brasil” e o anjo da guarda dos índios, que deveria protegê-los de um tal bode, estava passeando em Paris e, quando regressa, já encontra o holandês por aqui, como que a despistar-lhe. O anjo viaja de novo, abrindo suas asas ao vento, tal e qual uma caravela voadora, um zepelim. Mas ele pegou um pé de vento (linguagem náutica), coisa a que estão sujeitas as naus. Apanhados em certas tempestades de vento, os navios podiam ficar a deriva, viajando a sotavento dias e dias sem ver a luz do sol, podendo vir inclusive a naufragar, e daí, quanto ao nosso anjo,

Ele perdeu a

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