Estagios

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  • Publicado : 25 de março de 2013
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Críticas positivas e negativas acerca da Reforma Psiquiátrica


No ambiente manicomial, há um empobrecimento da dignidade pessoal. Não existe qualquer tipo de tarefa, o paciente não possui nada que possa ser sentido como próprio, nem sua própria roupa, portanto perde sua Identidade. È um mundo onde ele se sente desqualificado e coisificado. Isto o faz perder o sentimento de autonomia, deauto-respeito. No ambiente hospitalar qualquer atitude é interpretada como “coisa de louco”, Embora nem todas as atitudes sejam permitidas, visto que só lhe é permitido ser um “louco adaptado”, as normas e regras da Instituição.
Sabemos que após um surto psicótico, o paciente pode se readaptar ao mundo convencional, desde que seja assistido adequadamente. Porém isto não ocorre, quandoeste já está internado num manicômio. Apenas, agora é tarde para sair tão rapidamente como entrou, porque a pessoa tem seus vínculos cortados, perde contato com os amigos, interfere no emprego, além de ter o estigma de “louco”. Admitimos que com o estímulo social e afetivo conseguimos recuperar estes pacientes para um comportamento dito normal, adaptado.
O lugar físico dos hospícios, oambiente, tem como característica básica de ser um lugar fechado, isolado do exterior. São espaços coletivos, sem possibilidade de que o paciente possa isolar-se ou estabelecer algum tipo de espaço reservado onde organizar o espaço do Eu, ou o que se chama de sua “bolha pessoal”; isto é absolutamente necessário para a manutenção da Identidade Pessoal, que, nos casos de perturbação mental, encontra-sedesorganizada. Esta falta absoluta de privacidade pessoal é uma forma de controle da Instituição, onde o paciente deve ser continuamente vigiado. Tudo está organizado para uma melhor vigilância por parte dos profissionais que ocupam um papel mais de vigilantes do que terapêuticos. Em muitos casos para superar esta falta de privacidade, surge uma necessidade de um retraimento, do autismocomunicacional, como uma forma de se obter algum tipo de distância que, como não pode ser espacial, tem que ser psicológica. Ou seja, cria um isolamento para superar suas dificuldades.
Outro aspecto importante é que o interno fica 24 horas num mesmo espaço físico, não há mudança, são sempre os mesmo lugares, o que faz com que conheçam todos os detalhes. Isto gera um empobrecimento psíquico e um mundointerior empobrecido.
O ócio, em que lhe é imposto, contribui para sua desorientação em relação ao ciclo do dia, do transcurso da semana, e leva o internado a cumprir o seu único papel, ou seja, de louco; pois é isto o que lhe resta.
Nos manicômios, como nas prisões, o tempo está como se tivesse sido congelado: tem-se a sensação de um presente enorme e vazio. Como ele sofreu grandesperdas, com tamanha dor, faz com que o passado fique congelado, e que assim não faça projeções futuras. Ocorre que, como a Instituição não oferece nenhuma possibilidade de o paciente organizar um projeto vital, um futuro, por tabela fica bloqueada a possibilidade de elaborar as perdas do passado( trabalho, casamento, filhos, dignidade, etc.) e o tempo adquire uma só dimensão, a de um incerto econtínuo presente.
É comum observarmos posturas corporais características destas pessoas, tornam se arqueadas, adquirem um passo lento, como quem não vai a lugar nenhum, olham sem olhar, perdem o orgulho corporal, sua identidade corporal. Às vezes, esta é a sua única forma de comunicação, demonstrando seu desalento. Em suma, a internação gera um processo de amputação de todas as funçõespessoais e sociais.
Assim devemos louvar a reforma psiquiátrica que assistimos e suas diretrizes sociais que preservam o sujeito e o seu enlaçamento. Devemos perceber definitivamente que é correto pensar que o hospital (no caso da psiquiatria) não pode ser jamais o primeiro recurso, e sim o último, para alguém que precise dele. É muito pertinente sustentar que a saúde e sua promoção como...
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