Estado e sociedade civil em hegel

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ESTADO E SOCIEDADE CIVIL EM HEGEL
Profº. Msc. Ricardo George1

Introdução George Wilhelm Friedrich Hegel (1970-1831) é um pensador apaixonante, seja para com ele compreender o real, seja para se opor a sua compreensão. O mesmo pretendeu elaborar um sistema que desse conta do real e acabou por discorrer sobre os mais variados temas, a saber: política, religião, arte, teoria, conhecimento,história, metafísica, dentre outros, de modo que falar de qualquer dimensão do pensamento de Hegel nos convida a tocar, ainda que de forma sumária, nos pontos mais significativos do seu sistema. A proposta de Hegel, para o escopo da tradição filosófica, é de construir um sistema rigorosamente científico, isto é, um sistema que aproveite todos os dados inegavelmente adquiridos pelas ciências,organizando-os de tal modo que se possa extrair deles a história universal do Espírito Absoluto. Nesta empreitada, de compreensão do real, Hegel recorre a estruturas lógicas, duas emergem inicialmente como destaque: o princípio da identidade do ideal e do real e o de contradição. Pelo princípio de identidade do ideal e do real encontramos uma similitude entre coisa e pensamento de modo que uma não pode serdestoante da outra, portanto Pensamento e Coisa não podem ser esferas opostas e conflitantes, pois, se assim aparecessem, a realidade seria incognoscível. De modo que temos como conclusão que as leis da mente, da lógica, são também leis da realidade: lógica e metafísica são a mesma coisa. Hegel, então, conclui que este princípio se inscreve na seguinte fórmula: tudo o que é “racional é real e tudoque “real é racional”. O princípio de contradição, por sua vez, afirma que na realidade não existe nada que seja idêntico a si mesmo, mas que tudo está sujeito à dialética da afirmação e da negação. Este princípio constitui a mola do método hegeliano.

Professor Assistente da Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE.Professor Pesquisador dos Grupos CNPQ – UFC : LABOR (Líder Prof. Dr.Eneas) e Ética e Filosofia Política (Líder Prof. Dr. Odílio) ricardogeo11@yahoo.com.br

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Em seguida, vem o princípio ontológico, princípio que é o Absoluto (o pensamento, a idéia, a razão, o espírito). O absoluto é a realidade suprema, a origem de toda outra realidade. Nele se realizam perfeitamente os dois princípios lógicos acima citados; em virtude do princípio de identidade do ideal edo real, o absoluto é “universalidade concreta, a qual compreende todos os modos e aspectos nos quais ele é e se torna objeto de si” em virtude do princípio de contradição, a realidade do absoluto consiste em contínuo devir “O seu ser é seu devir”. (MONDIM, 1987, p.38.).

No que concerne à tarefa da filosofia, explica Hegel, na Filosofia do Direito, é compreender aquilo que é, uma vez queaquilo que é, é razão. De modo que seu sistema quando trata do real seja em que dimensão for, mantém-se fiel à relação estabelecida em seu sistema a partir do binômio: Razão e História. Nas palavras de Hegel:
A filosofia é idêntica ao espírito da época em que aparece; a filosofia não está além do seu tempo, é somente a consciência do substancial do seu tempo, ou o saber pensante do que existe notempo. Da mesma maneira, nenhum indivíduo pode estar além do seu tempo, o indivíduo manifestase somente numa determinada forma. Ninguém pode sair do substancial de sua época. Por conseguinte, numa consideração essencial, a filosofia não pode saltar seu próprio tempo. (HEGEL, 1983, p. 84).

Com isso queremos, ainda que de forma bastante sucinta, deixar claro a maneira que Hegel compreende o papel dafilosofia, enquanto saber do absoluto, e seu método, que propõe uma reflexão que considera o movimento histórico e da razão como os dois lados de uma mesma moeda. Assim sendo, podemos nos encaminhar para a problemática central por nós proposta, ou seja, a compreensão Hegeliana de Estado e Sociedade Civil.

Sociedade Civil em Hegel Hegel foi o primeiro a desenvolver uma conceitografia em torno...
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