Espartacus

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  • Publicado : 7 de abril de 2013
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Spartacus, o homem que desafiou Roma
O ex-escravo colocou em risco o poder do império durante os três anos de uma rebelião com milhares de comandados que abalou a Itália

Um exército dos mais improváveis virou de pernas para o ar o coração do Império Romano, cerca de 70 anos antes do nascimento de Cristo. Embora fosse inteiramente formada por escravos, a imensa maioria deles sem nenhumaexperiência militar, essa força rebelde chegou a contar com 90 mil soldados, deu um trabalho imenso aos principais comandantes de Roma e chegou perto de engendrar o colapso político e econômico da Itália. À frente dos revoltosos estava um ex-gladiador, um gênio militar nato, apesar da origem aparentemente humilde. Seu nome era Spartacus.

Mais de 2 mil anos depois, os detalhes da vida e personalidadedesse guerreiro foram quase totalmente engolidos pela lenda. Para os antigos historiadores gregos e romanos, ele não passava de um bandido, enquanto teóricos socialistas e revolucionários de todos os tipos o transformaram num herói quase sobre-humano. Calúnias ou idealizações à parte, o fato é que a história de Spartacus e seu exército mostram à perfeição como a enxurrada de escravos que haviainundado o Império Romano criou um desequilíbrio social de proporções bíblicas. Sem saber, os romanos tinham plantado a semente de seu próprio pesadelo, embora, no fim das contas, tenham conseguido acabar com ela.

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A revolta de Spartacus só se tornou possível porque Roma, nos dois séculos anteriores ao nascimento do guerreiro, havia se tornado a senhora (quase) absoluta dabacia do Mediterrâneo. Numa série de conquistas, envolvendo basicamente o império de Cartago e as regiões dominadas por macedônios e gregos, Roma incorporou vastos territórios, muitos deles ricos em solos férteis e recursos agrícolas. Além disso, havia um bônus: no mundo antigo, os derrotados nas guerras tradicionalmente se tornavam escravos.

Depois de vencer meio mundo em batalha, Roma deixou deser uma civilização formada basicamente por homens livres e pequenos proprietários de terra para se tornar a dona de uma multidão de escravos. Algumas estimativas modernas sugerem que, na época, havia um escravo para cada três pessoas livres. O problema, porém, não era só esse desequilíbrio demográfico: a mão-de-obra servil favoreceu os grandes proprietários de terra, que passaram a adquirir aspequenas propriedades dos camponeses livres por meios legais ou ilegais. Assim, a zona rural da Itália estava lotada de “sem-terra” e pequenos agricultores empobrecidos e encurralados – um fator que acabaria favorecendo Spartacus e seus comandados. Nas três ou quatro décadas que precederam a revolta do gladiador, a situação explosiva criou outros levantes no campo italiano, em especial narecém-conquistada Sicília.

Embora a principal vantagem econômica de incorporar tantos escravos ao império fosse seu emprego na agricultura, havia um contingente, digamos, diferenciado de cativos. Alguns se tornavam servidores domésticos ou, no caso de certas mulheres, literalmente escravas sexuais de seus amos. Mas entre os mais apreciados pelos romanos estavam os escravos destinados às lutas degladiadores, uma das formas mais populares de entretenimento público no império. As lutas, ou ludi (“jogos”, em latim), como eram mais conhecidas na época, quase sempre comemoravam grandes triunfos militares. Os que tomavam parte dos combates nem sempre recebiam treinamento especial. No entanto, lutadores com potencial para conquistar as multidões eram muito procurados e logo eram incorporados a academiasespeciais, onde eram treinados e recebiam até certa dose de regalias.

Foi justamente num estabelecimento desses, mantido por um sujeito chamado Lentulus Batiatus, em Cápua, sul da Itália, que Spartacus e seus companheiros originais viviam. Segundo o historiador grego Plutarco, que escreveu seu relato no século 2 d.C., “a maioria deles era de origem gaulesa ou trácia. Esses homens não haviam...
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