Epilepsia e grupos de sala de espera

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  • Publicado : 14 de julho de 2012
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A epilepsia tem se manifestado nos seres humanos desde o surgimento da espécie e tem sido reconhecida desde os primórdios dos estudos médicos. De fato, poucas condições médicas geraram tanto interesse e geraram tanta controvérsia quanto a epilepsia. (SCHACHTER, 2012) De acordo com Elza Márcia Yacubian, médica do departamento de Neurologia e Neurocirurgiã da Universidade Federal de São Paulo,citada por Kanashiro (2012), durante a antiguidade as causas da epilepsia foram atribuídas a espíritos malignos e fenômenos sobrenaturais que se apossavam do corpo da pessoa sendo os egípcios a realizar as mais primárias observações e descrições do distúrbio podendo ser observado através de hieróglifos e documentos papíricos (Fig. 1). Para os antigos egípcios, o termo “nsjt” (= nesejet = epilepsia)significava uma doença que foi enviada pelos deuses e que era extremamente perigosa. (SCHNEBLE, 2012)
Mogens Dam (2012), ex-presidente da associação da ILAE, International League Against Epilepsy (Liga Internacional contra a Epilepsia, em livre tradução) esclarece a origem da palavra epilepsia; oriunda do grego antigo πιληψία (epilepsia), significa tomar, capturar mas Marly de Albuquerque,médica presidente da Associação Brasileira de Epilepsia, citada por por Kanashiro (2012) explica que tal definição não surgiu com imediata conotação negativa, ao contrário; na Grécia, a epilepsia era vista como morbus sacer (doença sagrada), onde as pessoas que apresentavam os episódios epilépticos eram considerados abençoados e muitas vezes colocados em templos para exercerem a função de sacerdote.Hipócrates, por volta de 460-375 a.C., foi quem passou a designar a epilepsia como originada no cérebro e não de influências sobrenaturais:


Eu estou prestes a discutir a doença chamada 'sagrada'. Não é em minha opinião que haja uma doença mais divina ou mais sagrada do que outras doenças, mas sim que haja uma causa natural, e é supostamente de origem divina devido àinexperiência do homem, e seu maravilhamento diante de suas características peculiares. Agora, enquanto o homem acredita em sua origem divina porque eles estão em prejuízo quanto ao entendimento, eles realmente refutam a divindade disso pelo medíocre método de cura que eles adotaram, consistindo em purificações e encantamentos. Mas se isso para isso ser considerado divino por seu maravilhamento, entãonão existiria apenas uma doença sagrada mas muitas. (HIPÓCRATES apud DEVINSLY e MASIA, pp. 27 e 28, 2012.)

Apesar das alegações de Hipócrates, o estigma sobre a epilepsia e sua origem perpetuou pela Idade Média. As pessoas portadoras, e muitas vezes suas famílias, eram segregadas, consideradas impuras e sofredoras de castigo divino, além do medo da contaminação que acreditava ser possível.(DEVINSLY e MASIA, p. 28, 2012.) Segundo os mesmos autores, pessoas, principalmente mulheres, que apresentavam episódios epilépticos foram caçadas e muitas vezes exterminadas por se acreditar que a epilepsia era causada por bruxaria.
Ainda conforme os autores, o guia de caça às bruxas, Malleus Maleficarum, escrito por dois frades dominicanos sob autoridade papal em 1494, identificava bruxaspela presença de certas características, incluindo episódios epilépticos. O livro também diz que bruxas podem causar epilepsia:


Por mais difícil que seja acreditar que bruxas são capazes de causar lepra ou epilepsia, uma vez que essas doenças geralmente surgem a partir de alguma predisposição de longa data ou defeito físico, por vezes tem sido descoberto que mesmo estes têm sidocausada por bruxaria. (INSTITORIS H. apud DEVINSLY e MASIA, p. 28, 2012.)


Ainda nos dias atuais, na bíblia encontra-se descrições da epilepsia carregada de estigmas e fruto de espíritos malignos.


Senhor, tem misericórdia de meu filho, que é epiléptico e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas vezes na água;
E trouxe-o aos teus discípulos; e não...
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