Epicuro - carta sobre a felicidade

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Epicuro – Carta sobre a felicidade ou Carta a Meneceu (*)

Álvaro Lorencini e
Enzo Del Carratore

Introdução – Cronologia de Epicuro

Epicuro nasceu em 341 a. C., na ilha grega de Samos, mas sempre ostentou a cidadaniaateniense herdada do pai emigrante. Em Samos, ele passou a infância e a juventude, iniciando os estudos de filosofia com o acadêmico Pânfilo, filósofo platônico cujas lições seguiu dos 14 aos 18 anos.
Ao atingir essa idade, em 323, Epicuro transfere-se para Atenas a fim de cumprir os dois anos obrigatórios do treinamento militar destinado aos efebos. Nessa mesma condição, encontra como colegade turma o futuro dramaturgo Menandro, de quem se torna amigo. É em Atenas, capital cultural da Grécia Antiga, que Epicuro irá também encontrar os grandes filósofos ainda em atividade após o desaparecimento de Sócrates e Platão (com exceção de Aristóteles, banido da cidade e refugiado em Cálcis, aonde viria a falecer no ano seguinte), desde Teofrasto, o sucessor da Academia, cujos ensinamentos elecertamente seguiu.
Em 322, após a morte de Alexandre Magno, o sucessor deste decide expulsar de Samos todos os colonos atenienses, entre os quais a família inteira de Epicuro. É então que este decide abandonar Atenas para ir juntar-se a seus familiares desterrados em Cólofon, na costa asiática.
Próximo dali, em Teos, Epicuro passa a acompanhar os ensinamentos de Nausífanes, filósofo atomistaque o inicia no pensamento de Demócrito, que de princípio o entusiasma, mas cuja revisão ele já começa a empreender ao fundar sua própria escola em Cólofon.
Entre 311 e 310, tenta fundar outra escola em Mitilene, na lendária ilha de Lesbos, mas é impedido pelos aristotélicos que ali pontificavam. Muda-se então para Lâmpsaco, nos Dardanelos, onde também entre em choque, desta vez com osplatônicos, mas consegue, assim mesmo, instalar uma escola. É aqui, e nesta época, que ele conquista seus adeptos mais ilustres, que passarão a acompanhá-lo pelo resto da sua existência: Hemarco, Colotes, Metrodoro, Pítocles e Heródoto (este dois últimos, por sinal, ao lado de Meneceu, são justamente os destinatários privilegiados das três célebres cartas que costumam ser apontadas como a súmula dopensamento epicurista).
No ano 306, Epicuro regressa finalmente a Atenas, onde adquire uma ampla casa logo acrescida de um grande jardim, para o fim exclusivo de instalar aquela que viria a ser a sua célebre Escola ateniense, muito logo conhecida como “O Jardim de Epicuro”. Enquanto na casa habitavam os mestres, ou seja, além do próprio Epicuro, também os antigos discípulos, Hemarco e Metrodoro,entre os mais ilustres, no amplo jardim, acampados em barracas e cultivando hortaliças, instalavam-se os novos vindos doas mais distantes regiões. Após a morte de Epicuro em 270 a. C., foi o fiel Hemarco quem o sucedeu na direção da Escola.

A doutrina de Epicuro
A presente Carta sobre a felicidade, para além de sua significação intrínseca, não deixa de ser um documento absolutamente decisivopara desfazer aquele equívoco que uma tradição apressada costuma associar à doutrina epicurista, quase sempre confundida com o gozo imoderado dos prazeres mundanos, como se não se distinguisse do hedonismo puro e simples. Além das explícitas menções em contrário, que o próprio texto da carta não deixa de registrar, são inúmeros os testemunhos fidedignos atestando que, no célebre “Jardim deEpicuro”, vicejava uma autêntica comunidade, onde o mestre e discípulos viviam de maneira quase ascética, consumindo apenas as hortaliças que eles próprios cultivavam às quais acrescentavam apenas pão e água, ou ainda queijo em ocasiões especiais. Seja como for, não há dúvida de que a real importância da doutrina epicurista está muito longe de consubstanciar-se em aspectos puramente circunstanciais...
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