Entrevista

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  • Publicado : 2 de abril de 2011
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PAULO FREIRE — O político que não busque a eficiência está fadado a não fazer nada. Como qualquer um de nós. O problema é saber que eficiência é essa. Eficiência em torno dequê? Em favor de quem? E como, como ser eficiente?
Para mim, a eficiência política de um homem ou uma mulher de esquerda passa pela sua compreensão e pela sua comunhão com as massaspopulares. Eu diria mesmo que negar a comunhão com as massas populares, em nome da eficiência, é defender a eficiência de quem pretende fazer a transformação para as massaspopulares, de cima para baixo. Assim como eu não aceito esse tipo de transformação revolucionária, eu não aceito esse (ipo de eficiência.
Entretanto, eu não quero deixar aqui aimpressão de que eu acho que uma liderança tem de consultar as massas todo dia para saber o que fazer no processo de andamento revolucionário. Isso seria mesmo impossível. Aliderança revolucionária tem de obrigar a criar em si mesma algumas qualidades especiais. Por exemplo: a intuição, a sensibilidade histórica, a capacidade de prever, de sonhar a fantasia.Até do ponto de vista do conhecimento, a fantasia é uma espécie de antecipação do que pode ser um conhecimento de amanhã.
Como disse um dia Amílcar Cabral, o grande líder dalibertação da Guiné-Bissau: "Ai do revoluciona rio que não sonha!" E acrescentou: "O problema apenas é saber se sonha um sonho possível. Além disso, ele precisa saber se é capaz dolutar para realizar o sonho. Fora disso: ai do revolucionário que não sonha!"
Essa sensibilidade à flor da pele essa capacidade de sonhai, de fantasiar, de conhecer quaseadivinhando os anseios das massas populares são virtudes que o revolucionário tem de criar. É preciso viver essas coerências. É o político que é educador o educador que é político.
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