Entrevista com psicólogo clínico.

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Entrevista com o psicólogo clínico, Oslaim Viana, 23 de março de 2013.

1) Quem é você e há quanto tempo está clinicando?
OV - Eu não sei se eu sei responder a primeira pergunta. Acho que essa é uma resposta para vida inteira. É uma busca para a vida inteira. Quem somos nós na verdade? E vamos nos adaptando, mudando, crescendo. Acho que não posso responder exatamente quem sou eu. Acho que oque se aproxima desta resposta é uma frase do Milton Nascimento, na música “Caçador de mim”. Acho que é um pouco isso o que eu vivo e é um pouco o que todo mundo vive ou deveria, pelo menos, se caçar, se buscar, se conhecer. Então, não posso responder essa pergunta. Agora em relação há quanto tempo eu clínico? Há vinte anos.

2) Quando nós começamos o curso, todos perguntam, porque escolhemospsicologia. Hoje, você consegue responder esta pergunta?
OV - Consigo. Consigo porque antes da escolha do curso eu entrei num processo terapêutico e fui me envolvendo e me apaixonando pela questão, pelo que eu ouvia pelo efeito do que aquilo, daquilo eu ouvia causava em mim. Então, eu achava que era muito impactante e muito benéfico. E fui me interessando cada vez mais pela terapia, pelo trabalhoterapêutico e resolvi que seria por aí também a minha escolha e o meu destino, talvez.

3) Em algum momento você teve uma experiência profissional ruim em que pensou “isso não é para mim”? Se puder, conte também alguma experiência em que se sentiu realizado.
OV – Tive vários momentos que eu questionei se eu estava fazendo a coisa certa realmente. Se eu podia estar interferindo positivamente navida de alguém. Várias situações, aonde algumas pessoas chegavam em desespero mesmo, por ter perdido alguém muito querido ou porque estava em uma depressão muito severa. Eu me sentia completamente impotente, principalmente no começo, diante de algumas situações e de algumas demandas que as pessoas traziam Então, sim tive vários momentos de duvida, de medo, de insegurança. Faz parte realmente daformação do recém formado tudo isso acontecer. Nestes 20 anos também tive muitas gratificações. Aliás, eu diria que o valor do nosso trabalho é exatamente a melhora, a evolução do paciente. Para mim a gratificação maior é esta, muito mais do que a financeira. Então, sim, tive também vários paciente que se libertaram de algumas questões, de algumas dificuldades, de algumas doenças. Isso foi muitoimpactante positivamente na minha vida e que acabou me dando a certeza da dúvida que imperava até então, se eu realmente tinha nascido para a coisa. Então, o tempo meio que confirmou que eu fiz a escolha certa.

4) Ao ingressar no curso, qual era a sua visão sobre o papel do profissional em psicologia? No transcorrer do curso essa visão mudou? Se sim, em que sentido ocorreu a mudança?
OV – Eutinha meio que uma sensação de que todo mundo... Sempre tive isso antes, inclusive, de fazer o curso, de que todo mundo era uma espécie de espelho que refletia o nosso estado interno. Tem uma frase que fala muito bem isso que diz que “o que incomoda fora, é alguma que está dentro.” E o que encanta fora, também, idem. A gente está sempre refletindo vendo mesmo o nosso reflexo nas atitudes e nos gestose nas pessoas de modo geral. Então, eu acreditava que o papel do psicólogo e, consequentemente, da técnica que a gente busca na faculdade, teria o mesmo efeito na vida das pessoas, na vida dos pacientes, que a gente também seria uma espécie de espelho. Que estaria também refletindo, de alguma maneira, o que estivesse na alma das pessoas, dos pacientes.

5) Em sua opinião, quais foram asmaiores dificuldades e/ou desafios enfrentados durante o curso?
OV – Durante o curso, vários. A falta de tempo, porque como a maioria dos brasileiros, eu precisava trabalhar também para pagar os estudos. Falta de tempo, a falta de dinheiro. A distância, porque quando eu entrei na faculdade, hoje ela é a UNIP mas na época era Objetivo. Mudou de nome depois, fizeram lá umas negociações. E só tinha lá...
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