Entre sangue e trevas

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  • Publicado : 8 de novembro de 2012
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Entre o Sangue e as Trevas

Eu gosto de coisas de zumbis: filmes, jogos, seriados e histórias em quadrinhos. Eu
cheguei a imaginar que um dia eles dominariam o planeta e nós, sobreviventes, iríamos
combatê-los.
Hoje eu sei que não vai ser bem assim. Assim como o vírus da raiva poderia passar por
uma mutação e criar zumbis, surgiu um vírus causador da doença chamada vampirismo.
Tudoaconteceu muito rápido. Não sei como, mas meu irmão foi um dos primeiros
infectados. Hoje me arrepia a lembrança de ter dormido no mesmo quarto de um deles. Ele
passava a noite sugando o próprio sangue. Não parecia ameaça a ninguém exceto a si mesmo.
Quando fomos levá-lo ao hospital, mordeu a primeira pessoa que viu na rua. Talvez todos
esses dias ele estivesse tentando não morder ninguém da família,num esforço inimaginável,
tentando controlar o incontrolável.
Depois de morder aquela pessoa, sugou quanto sangue pôde antes de puxarmos ele. A
pessoa, já o chão, se contorceu e em questão de um minuto era outro vampiro. O vírus
dominou a vítima numa velocidade assustadora, principalmente em relação aos zumbis, que
podem demorar um dia inteiro para se transformar e tentar atacar alguém.Este segundo vampiro não teve a consideração de morder a si mesmo tentando se
controlar. Já não tinha consciência de seus atos, e logo atacou outra pessoa. Assim que percebi
o risco de infecção, larguei meu irmão e corri. Tal era a velocidade da infecção que ao cair da
tarde a cidade estava tomada. Continuei tentando fugir, mas depois de se alimentarem, eles
sentem uma revigoração que os faz maisfortes e rápidos. Nada de sobrehumano, mas
superior a um humano comum que estava exausto, com fome e sede. A esse ponto eu me
sentia cercado, pois para qualquer lado que fosse encontraria mais deles. Olhei o pôr-do-sol e
imaginei que pesadelo seria escapar à noite. Quase desistindo, olhei para frente e rapidamente
avistei o portão de uma casa aberto. Talvez o morador saiu para ver o queacontecia do lado
de fora e foi mordido. Não importa. Eu entrei, vi a chave pendurada e tranquei, sem me
preocupar com o que poderia ter lá dentro.
Eu sei que com zumbis o esquema é juntar um grupo de sobreviventes, mas a casa está
vazia e o mais perto de sobreviventes por aqui são os gritos nas ruas, de pessoas sendo
mordidas e sugadas, e os gritos cessam com a transformação.
Dei uma rápidavasculhada na casa, vi que está segura e tem comida, como toda casa
deve ter. Acho que é possível eles morrerem de fome antes de mim. Enquanto isso, devo ficar
em silêncio absoluto, porque se me acharem estou perdido. Por isso estou escrevendo, afinal,
ajuda a passar o tempo e é bem silencioso. Sem muita criatividade, estou apenas relatando o
que vi até agora. Talvez possa servir de ajuda aalguém, mas por enquanto está me ajudando.
Acho que vou fazer isso todo dia. Vai ser um diário, só que hétero.
Enfim, de fome eu não morro tão cedo, mas preciso pensar na possibilidade de ter que
matá-los, mesmo que só pra me defender. Eles ainda são humanos, eu acho, então não deve

ser tão difícil. Tem que ser algo que mate instantaneamente, porque talvez o instinto de me
morder seja maior que ador e continuem me perseguindo. Estou pensando em perfurar o
coração, a cabeça, quebrar o pescoço ou arrancar a cabeça toda, o que seria bem legal.
Se pelo menos eles fossem iguais aos vampiros de filmes eu poderia usar lâmina de
prata, alho, crucifixo, água benta, raios ultravioleta, alguma coisa assim, mas eles não são
míticos, são reais, científicos!

Capítulo 2 – A casa

Por que umdiário de sobrevivente teria capítulos? Por que não teve um “capítulo 1”?
Eu só quis diferenciar o primeiro momento, contando tudo, do presente. E eu achei
que “capítulo 1” seria meio ridículo. Mas pra não deixar dúvida: casa capítulo é um dia no
diário, mas eu acho que não precisa ficar colocando a data toda vez. Que dia é hoje não
importa no fim do mundo.
Então, hoje vou falar do lugar...
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