Entre fios e redes: o conhecimento e sua tessitura na/da pesquisa nos/dos/com os cotidianos escolares

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  • Publicado : 6 de fevereiro de 2013
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O presente texto versa sobre uma revisão de literatura, que fez parte do projeto de qualificação da dissertação “Práticas cotidianas na/da educação integral: alternativas e potencialidade emancipatórias” (GONÇALVES, 2012). Como ponto de partida, foram feitas buscas no portal de periódicos do Scielo e no Banco de resumos de teses e dissertações da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoalde Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação, tendo como o cotidiano, o conhecimento e a emancipação palavras-chave; o espaçotempo de produção pesquisado abarcou os anos de 2005 a 2009. O objetivo deste artigo está em tecer noções sobre as práticas e teorias sociais organizadas em redes, na busca de um entendimento dos conhecimentos produzidos na/da pesquisa em educação nos/dos/com oscotidianos escolares.
Buscamos compreender, inicialmente, o conhecimento, que, enquanto termo dicionarizado, tem os significados de ato ou efeito de conhecer; ato de perceber ou compreender por meio da razão e/ou da experiência; faculdade de conhecer; domínio, teórico ou prático, de uma arte, uma ciência, uma técnica etc.; relacionamento ou conjunto de relacionamentos que uma pessoa ou grupo depessoas mantém com outras, quer por amizade, quer por mera formalidade, dentre outros. Tais noções do substantivo em questão foram, são e, relativamente, serão, ou não, nuances que nos permeiam nas mais diversas situações cotidianas nas quais nos colocamos a dialogar.
Partiremos agora da ideia de que desde que o mundo é mundo, o homem produz conhecimento sentevivepensa, enamora-se e apaixona-sepelas rendas tecidas cotidianamente. Logo, trazer como epígrafe deste texto o cântico das mulheres rendeiras é trazer à tona os fios e as redes com as quais buscamos apreender os sentidos e caminhos possíveis de se fazertecer pesquisa e conhecimento nos/dos/com os cotidianos escolares, cujos encontros e desencontros, as inquietações e serenidades, todas as experiências vividas nos ensinaram e ensinamo quanto é possível se emaranhar nos fios cotidianos das práticas escolares e com elas tecer outras redes.
Durante as buscas nas bases de dados supracitadas, muitos fios saltaram aos nossos sentidos; no entanto, tivemos que nos deter naqueles pautados pela perspectiva dos estudos nos/dos/com os cotidianos (ALVES; OLIVEIRA, 2008), tendo chegado ao total de sete trabalhos, sendo três dissertaçõesde mestrado e uma tese de doutorado e três artigos científicos publicados em periódicos. Com o diálogo dos trabalhos, buscamos concordar com Oliveira (2006) no que diz respeito ao fato de que o conhecimento se dá em rede e, por tal motivo, trazemos neste texto as mulheres (autoras), Garcia (2007), Lauro (2007), Macedo (2005, 2007)1, Rodrigues (2009) e Veríssimo (2007), as redes que explicitam aprodução e legitimação do conhecimento produzido cotidianamente pelas escolas.
Cremos ser possível, antes de adentrar nas redes tecidas nas/das pesquisas, explicitar a forma como o conhecimento circula entre um dado paradigma dominante até a emergência de outro paradigma, tendo como suporte a discussão que Santos (2006)² realiza sobre o tema, e lembrando que a noção de crise e transição de paradigmapressupõe a própria crise desse conceito, como alerta Plastino (2007).
Compreender o conhecimento traz consigo a necessidade de ressignificar as formas como ele pode ser produzido socialmente, sobretudo em sua criação, enquanto paradigma, seja dominante e/ou emergente. Uma primeira abordagem sobre a criação e produção de conhecimento existente vai ao encontro da maneira como a ciência o fazenquanto paradigma dominante. Tal representação liga-se ao que Santos (2006) aponta como um modelo de racionalidade gestado na revolução científica dos séculos XVI e XVIII que, desenvolvido basicamente no molde e domínio das ciências naturais, se estenderia às ciências sociais, admitindo um modelo global de racionalidade científica que distingue duas formas de conhecimento: o científico, provado...
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