Ensino de literatura: possibilidades e alternativa

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Introdução
A literatura tem acompanhado o ser humano, provendo-o com a ficção
necessária para enfrentar os obstáculos da vida, bem como tentando responder
aos seus questionamentos fundamentais. Além disso, como uma modalidade
privilegiada de comunicação, possibilita a instauração do diálogo entre textos e
leitores de todas as épocas. Essa permanência, por si só, legitima aescolarização da literatura, que se tornou uma disciplina regida por legislação
pertinente. Na realidade um tanto conturbada do ensino médio, a literatura
constitui uma modalidade de ensino engessada, de um lado, pelo vestibular,
que justifica a presença da disciplina, bem como condiciona o conteúdo e a
perspectiva de abordagem; e de outro, pelo fator humano – aluno e professor –
cuja posturavai traduzir o interesse, o gosto e a freqüência a essa modalidade
de produção cultural.
A situação da literatura como disciplina escolar não tem merecido a
devida consideração, uma vez que sofreu sensível apagamento na Lei de
Diretrizes e Bases da Educação de 1996 e nos Parâmetros Curriculares
Nacionais. Na tentativa de otimizar o ensino da literatura, estudiosos da área
buscamencontrar alternativas, com a finalidade de resgatar a importância da
disciplina na formação humanística do aluno. Nesse sentido, pode ser referido
o projeto de pesquisa, desenvolvido na UCS, Ensino da literatura: uma 2
proposta metodológica alternativa para o ensino médio, que possibilitou
constatar a necessidade de ampliar os estudos que envolvem a problemática
do ensino da literatura noensino médio. Assim, esse estudo tem como
propósito discutir uma alternativa metodológica fundamentada na linha
epistemológica preconizada nos estudos de Vygotsky, introduzindo a prática da
pesquisa em sala de aula.
Ensino de literatura: reflexão e aquisição de conhecimento
O ser humano nasce apto a desenvolver constantemente a sua estrutura
cognitiva e a adquirir conhecimento, oque ocorre através do empenho, da
curiosidade e do envolvimento de cada um. Daí, a necessidade de que esse
processo seja construído de forma significativa, utilizando conhecimentos
prévios, habilidades e competências, o que só poderá ser otimizado na medida
em que o ensino for desenvolvido de forma adequada. No entanto, o que se
constata é que há uma crise na educação. Coelho (2000, p.25) afirma que:
Nos rastros do pensamento complexo, todas as discussões que
vêm sendo feitas em torno da 'crise do ensino' têm como base
uma das premissas da psicologia cognitiva: sem estar integrado
num contexto, nenhum saber tem valia, por mais sofisticado
que seja, isto é, não provoca no sujeito o dinamismo interno
que o levaria a interagir com outros saberes e ampliar oconhecimento inicial ou transformá-lo.

Nesse sentido, destacam-se Piaget e Vygotsky, que pesquisaram sobre
desenvolvimento intelectual. A teoria de Piaget (1999) presume que, entre a
infância e a adolescência, o ser humano desenvolve a capacidade de executar
operações lógicas que se aperfeiçoam. O estágio das operações formais é
particularmente relevante nos estudos que relacionamadolescência e
educação, pois evidencia a forma de atividade mais avançada que o indivíduo
pode atingir. Para o autor, o adolescente, posto diante de um problema,
consegue testar alternativas de solução de forma organizada e consciente,
elaborando deduções críticas, uma vez que detém raciocínio hipotéticodedutivo.
Vygotsky (1984) afirma que, na adolescência, a memória torna-se
extremamentelógica, havendo uma reorientação nas relações interfuncionais 3
que a conectam a outras funções. Esse aspecto é altamente relevante, visto
que as estruturas mentais passam a se organizar não mais como tipos de
categorias, mas como conceitos abstratos. O aprendizado desperta vários
processos internos de desenvolvimento, que são capazes de operar somente
quando o indivíduo interage com...
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