Ensaio sobre “a economia moral da multidão inglesa no século xviii” de edward palmer thompson

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Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

São Paulo, 10 de dezembro de 2006

Professor Dr. Antonio Rago Filho

História – Teoria IV
















Título:

Ensaio sobre “A Economia Moral da Multidão Inglesa no Século XVIII” de Edward Palmer Thompson


















Ariana Gonçalves (MA4) – Matricula: 05000998
Caroline Gemas – Matricula:05001002
Fábio Caetano da Rocha – Matrícula: 05004648
Juliana Marcondes Siqueira – Matrícula: 05001038
Turma: NA4
A ECONOMIA MORAL DA MULTIDÃO INGLESA NO SÉCULO XVIII


Thompson analisará neste trabalho o comportamento da sociedade inglesa no período do século XVIII, fazendo uma crítica à historiografia que se prende somente aos aspectos econômicos ao analisar um fato histórico.
Iniciaseu estudo citando como exemplo os “Motins da Fome”. Muitos historiadores como Beloff, Wearmouth, Ashton e Charles Wilson trabalham seguindo essa linha, atribuindo as causas a sistemas considerados rasos por Thompson. O autor considera a própria palavra “Motim” como rasa ou pequena para abarcar o verdadeiro significado das lutas contestadoras do povo. Além disso, não concorda com a forma como sãomapeadas as tensões sociais por essa historiografia, considerando essa visão econômica reducionista, pois deixa de lado outros elementos como a complexidade das motivações, comportamentos e funções; o próprio Homem passa a ser concebido por uma visão reducionista.
Thompson considera que esses motins, embora fossem certamente motivados por razões econômicas, como desemprego, aumento de preços oumaus procedimentos comerciais, sua legitimação devia-se ao descontentamento popular em relação ao que se considerava correto dentro de suas tradições, e a isso o autor chama de economia moral. Entende-se como economia moral a voz do povo descontente por sentir-se desrespeitado dentro das tradições e obrigações sociais a que pertencem, e dessa forma pressionam as autoridades.
Por essa razãoconsidera supérfluo observar apenas o lado econômico da questão, sem aprofundar na questão social.
Com a modernização da Inglaterra e mudanças nas relações econômicas, conseqüentes dessa modernização, origina-se um conflito em que o povo toma a frente e os trabalhadores mobilizam-se. O autor descreve os levantes que ocorreram durante todo o século XVIII na Inglaterra devido à insatisfaçãopopular ao mercado de cereais.
O conflito econômico na Inglaterra gira em torno das Leis dos Cereais, onde se defrontam o tradicionalismo dessa cultura econômica e a nova economia que vem surgindo nesse momento.
Os anos que levaram a Inglaterra ao mais alto potencial agrícola foram marcados por motins (o autor usa o termo, embora tenha mostrado reservas em usá-lo anteriormente), ou levantespor parte da população pobre e trabalhadora.
Verifica-se que o padrão de consumo de cereais na Inglaterra é, sobretudo, de trigo. De fato, durante o século XVIII, o consumo de trigo é maior em relação aos demais cereais, chegando a praticamente dois terços.
Moleiros e Padeiros tinham interesse em produzir farinha de trigo e pão branco, ao invés de pão caseiro devido aos altos lucros queobtinham com o comércio desse cereal. Para garantir seus lucros havia a divulgação de que o pão escuro ou pão caseiro era mais fácil de ser adulterado com aditivos nocivos e que este causava reações que punham em risco a saúde daqueles que o consumiam. Também era comum dizer que o pão branco era mais nutritivo para os trabalhadores, que precisavam de energia para cumprir com suas obrigações. Ostrabalhadores que se alimentassem com o pão escuro podiam sofrer de fraquezas e náuseas. Existem vários relatos e até documentos oficiais que tratam dessa polêmica.
Algumas medidas eram tomadas pelo Estado para regulamentar o mercado de cereais, no sentido de proteção ao consumidor – medidas paternalistas, porém, o autor aponta para o perigo de impor normas já impostas pelo costume –. No caso...
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