Ensaio maquiavel

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Universidade Estadual de Feira de Santana Departamento de Ciências Humanas e Filosofia Disciplina: Estudo de Textos Filosóficos Docente: Nilo Henrique Reis Discente: Vitor Duarte Ferreira Data: 07/03/2012

Avaliação II – Ensaio II “Fortes Fortuna Adiuvat” – A fortuna favorece os audazes?

Introdução
O que se quer discutir neste ensaio? Em que contexto? Fundamentado em qual autor e obra? Ora,embora se possa debater o tema com base em qualquer autor ou obra que possua algum tipo de ligação, direta ou indireta, ao mesmo, a palavra “fortuna” evoca necessariamente, na história da filosofia ocidental, mais do que qualquer outro filósofo, o enigmático e sinuoso chanceler florentino Niccolò Machiav ou Nicolau Maquiavel (1469-1527), e sua conhecida obra O Príncipe. Quanto ao contexto, omesmo não será necessário devido à própria natureza da questão, apesar de se tentar uma definição tendo-se por base o pensamento de Maquiavel em seu tempo. No que se refere ao problema deste ensaio, ele será inevitavelmente este: a fortuna, segundo a concepção específica dada por Maquiavel, favorece somente os audazes? Ressalta-se que o intuito deste ensaio não é fazer história ou biografia deMaquiavel ou de sua aludida obra, O príncipe, mas problematizar o que se pode pensar e inferir da frase “A fortuna favorece os audazes”, sendo sua fundamentação estritamente voltada à obra O Príncipe. Isso significa que não se recorrerá a outros autores (filósofos ou comentadores) para a discussão em pauta. Para o presente intento, o presente ensaio foi estruturado, além desta introdução, em três partes,com os seguintes títulos: 1º) Problematizando a questão; 2º) concepção de fortuna e virtù em Maquiavel na obra O Príncipe; e 3º) Arriscando uma possível resposta. O primeiro discorrerá sobre a questão enquanto posto como problema filosófico, bem como sobre as concepções etimológicas das palavras nela envolvidas. O segundo dará uma visão geral daquilo que Maquiavel entendia e concebia ao usar aspalavras fortuna e virtù. E por último discutirá uma possível resposta à questão colocada como título deste opúsculo.

1. Problematizando a questão
Para se discutir ou comunicar um pensamento sobre um dado assunto, faz-se imprescindível, antes de tudo, estabelecer precisamente o sentido dos termos com os quais se irá discutir. A palavra latina fortuna geralmente se traduz como “sorte”(ABBAGNANO, 2000); o termo fortes pode ser entendido como “forte” ou “audaz” (de audácia, afoiteza, arrojo, atrevimento, coragem, ousadia), e adiuvat como “ajuda” ou “favorecimento”. O título então poderia ser traduzido como “A sorte ajuda os fortes”? A palavra “sorte” certamente não evocaria a mesma semântica da palavra fortuna tal como a entendia Maquiavel. Note-se ainda que a palavra “fortuna” não serájamais usada aqui no sentido comum de estado ou condição financeira, de riqueza, de bens. Sua acepção maquiaveliana será dada na segunda parte. Quanto à frase dada como título deste ensaio, o simples enunciado do aforismo não o torna uma questão de problematização filosófica. Daí o ter colocado como pergunta – “A fortuna favorece os audazes?” – e não como simples afirmação, embora uma afirmaçãodesse tipo possa ser encarada

como uma proposição. E toda proposição é campo de possibilidade de debates, análises e refutações. Enfim, a questão insistente deste ensaio será a tentativa de uma resposta, em Maquiavel dentro de sua obra O Príncipe, a respeito da provocação colocada: “A fortuna favorece os audazes?”. No entanto, deve-se ter como condição sine qua non para a discussão, uma noçãoclara e distinta daqueles termos com os quais Maquiavel estruturou a sua obra. São eles fortuna e virtú.

2. Concepção de fortuna e virtù em Maquiavel na obra O Príncipe
A relevância de se entender esta duas palavras em Maquiavel, advêm do fato de que os principados, principalmente os novos, se adquirem “graças à fortuna e a virtù” (Cap. I, p. 3). Então, qual é a concepção maquiaveliana a...
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