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  • Publicado : 15 de março de 2012
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Certa noite, Graham (Don Cheadle), um detective a caminho de um local de crime, observa a sua companheira e amante latina, Ria (Jennifer Esposito), discutindo com uma mulher asiática que acabou de embater na sua viatura. À medida que insultos raciais crepitam, Graham constata que em Los Angeles as pessoas não se tocam… colidem (crash).
Paul Haggis estreia-se na realização depois da aclamaçãorecebida pelo seu argumento para “Million Dollar Baby” de Clint Eastwood. “Crash” (não confundir com o homónimo de David Cronenberg de 1996) é um drama eloquente, enternecedor, inteligente, inspirador. Classificá-lo como filme racial é uma análise superficial. Não é um simples filme sobre raças, mas também sobre a condição humana, raiva e redenção. Expõe a desconfiança racial gerada pelo 11 deSetembro, mas também funciona como reflexão emocional e apresenta esperança após a ruína anímica.
À medida que as personagens vagueiam numa densa área cinzenta, entre o preto e o branco, a intolerância e a compreensão, subitamente surge o próximo momento de tensão, escondido ao dobrar a esquina.
Paul Haggis utiliza uma estrutura e premissa similar ao sublime “Magnolia” de Paul Thomas Anderson, “GrandCanyon” de Lawrence Kasdan, “Short Cuts” e “Nashville” de Robert Altman e “Thirteen Conversations About One Thing” de Jill Sprecher. As múltiplas histórias gravitando em torno de etnias, recordam igualmente “Traffic”, de Steven Soderbergh (cujas histórias gravitavam em torno do problema da droga).
Haggis alude que graças ao turbulento quotidiano, pessoas aparentemente sadias comportar-se-ão comolunáticas, principalmente quando o racismo, a xenofobia e os insultos manifestam-se em porções superiores à benevolência e generosidade humanas. Ele assusta surpreendendo plateias com personagens credíveis, que nos levam a reconhecer que as nossas expectativas estão assentes em estereótipos.
Apesar de todas as histórias não suportarem um peso idêntico, é de louvar o facto das personagens nãoserem exibidas como meros santos ou pecadores. O elenco é soberbo e as interpretações formidáveis. Sandra Bullock (Jean Cabot) representa uma insípida mulher, que não aprecia o que tem. É a antítese da sua figura lindinha e querida em Hollywood. A fúria de Thandie Newton (Christine) é arrepiante, Loretta Devine (Shaniqua Johnson) oferece pitadas de humor, Larenz Tate (Peter) e o músico Ludacris(Anthony) ostentam uma maravilhosa química, mas as superiores representações pertencem a Matt Dillon (Ryan) e Don Cheadle (Graham Waters). Dillon sustenta uma personagem complexa e é soberbo ao misturar reacções díspares. Cheadle tem um papel algo restrito, mas os seus olhos reflectem cabalmente dor e indignação.
“Crash” gera um intenso fascínio. Algumas cenas são enérgicas, poderosíssimas e Haggisexibe algum domínio no storytelling visual, mas “Crash” está longe de ser sublime. As lições por vezes são óbvias e algumas cenas são perceptivelmente exageradas. Por vezes parece que estamos perante a visualização de uma telenovela, talvez graças às várias temporadas que Haggis passou como escritor/produtor televisivo (“Walker, Texas Ranger”).
“Crash” confronta-nos com inúmeras questões, mas nãooferece as respectivas respostas. As nossas reflexões deverão colidir para alcançarmos um entendimento. O filme procura intersectar várias histórias e como resultado desenvolve menos as personagens e deixa muitos laços por atar. Falta-lhe um pulso firme para ajustar as histórias, falta-lhe equilíbrio e simetria… falta-lhe sensibilidade cinematográfica. A tapeçaria de contos intersectados carece dasolidez e consistência de um Paul Thomas Anderson. A película representa uma agradável lufada neste Verão cinematográfico, mas a certa altura tentativas forçadas de manipulação de emoções colidem com clichés banais.
Outra Resenhaa

Latinos, negros, iranianos, brancos? Serão esses os habitantes do mundo, os habitantes de Los Angeles? Ou será que pelas ruas da cidade caminham pessoas como Graham...
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