Enfermagem

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s í s i f o / r e v i s t a d e c i ê n c i a s d a e d u c a ç ã o · n .º 5 · j a n / a b r 0 8

issn 1646‑4990

Aprender a ser enfermeiro. Identidade profissional em estudantes de enfermagem
Miguel Nunes Serra
miguel.serra@esenfcgl.pt Escola Superior de Enfermagem de Lisboa

Resumo: Este artigo tem como objectivo principal apresentar alguns elementosque a literatura baseada na investigação tem apontado como pertinentes para a compreensão do modo como os estudantes de enfermagem estruturam a sua identidade profissional. Estes ele‑ mentos emergem de uma pesquisa teórica preliminar à investigação em curso (no âmbito do doutoramento em Ciências da Educação na área de especialização em Formação de Adultos, da FPCE‑UL) sobre o processo deconstrução da identidade profissional, vivido e descrito por estudantes de enfermagem, ao longo da sua formação inicial. Da pesquisa elaborada até ao momento salientam‑se três grandes dimensões teóricas: As identidades profissionais da própria profissão de enfermagem e o seu processo de construção do pon‑ to de vista histórico; os discursos e práticas no contexto do ensino de enfermagem; e aexperiência vivida dos estudantes de enfermagem. Por fim, apontam‑se alguns aspectos relacionados com a metodologia e a operacionalização programada para o estudo. Palavras‑chave: Estudante de enfermagem, Enfermagem, Identidade Profissional.

Serra, Miguel (2008). Aprender a ser enfermeiro. Identidade profissional em estudantes de enfermagem. Sísifo. Revista de Ciências da Educação, 05, pp.69‑80. Consultado em [mês, ano] em http://sisifo.fpce.ul.pt



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INtRoDUção Este trabalho enquadra‑se no âmbito da pesquisa desenvolvida até ao momento no curso de Douto‑ ramento em Ciências da Educação, na área de es‑ pecialização em Formação de Adultos e procura explicitar um conjunto de dimensões que pensa‑ mos serem centrais para o estudo da construção da identidadeprofissional, em estudantes do Curso de Licenciatura em Enfermagem (CLE). Partimos do pressuposto teórico de que a expe‑ riência do estudante de enfermagem é, ela própria, um processo de socialização na profissão, e que contribui determinantemente para a produção de uma identidade profissional. Sendo a construção da identidade um processo de carácter eminentemente relacional, esendo o seu produto sempre provisório, importa considerar, por um lado, como os fenóme‑ nos estruturais de ordem macrosociológica afectam as atitudes e os comportamentos dos estudantes e que papel é atribuído aos estudantes de enferma‑ gem. Por outro lado, interessa também desvendar qual a interpretação e operacionalização que des‑ tes aspectos os indivíduos fazem, eque sentido, na acepção de Denzin (2002), conferem à sua acção. Adoptando a perspectiva de Friedberg (1995) de que actores e sistema são co‑constitutivos, pro‑ curaremos neste texto aflorar algumas dimensões que enquadrem globalmente a experiência dos es‑ tudantes de enfermagem, e que possam constituir um ponto de partida teórico consistente para a pes‑ quisa a que nos propomos.
70MUtAçõES IDENtItáRIAS NA ENFERMAgEM A compreensão da forma como se estrutura na ac‑ tualidade qualquer campo disciplinar subentende a necessidade de conhecer os processos históricos que caracterizam a evolução da profissão e do seu ensino, possibilitando quer, por um lado, um en‑ tendimento mais esclarecido, quer, por outro lado, lançar alguma luz sobre aspectos que,superficial‑ mente analisados, poderiam parecer anacrónicos ou ininteligíveis. É nesta lógica que interessa, na análise dos processos subjacentes à construção por parte dos estudantes de enfermagem da sua identi‑ dade profissional, compreender as origens da disci‑ plina, fundada na segunda metade do século XIX, no fogo cruzado da disputa da prestação de cuida‑ dos de saúde, entre um...
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