Enfermagem

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escola superior de enfermagem de viseu - 30 anos

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O ENSINO CLÍNICO NA FORMAÇÃO EM ENFERMAGEM
Daniel Marques da Silva∗ Ernestina Mª V. Batoca Silva∗∗

1 – INTRODUÇÃO No currículo dos cursos superiores de enfermagem existem estágios – ensinos clínicos – que se realizam em instituições de saúde ou na comunidade, em diferentes contextos da actividade profissional do enfermeiro. Esteensino clínico, vulgarmente designado por estágio, é, na perspectiva de Martin (1991:162), “um tempo de trabalho, de observação, de aprendizagem e de avaliação, em que se promove o encontro entre o professor e o aluno num contexto de trabalho”. Para Vasconcelos (1992:28) “os estágios destinam-se a complementar a formação teórico-prática, nas condições concretas do posto de trabalho de uma organizaçãoque se compromete a facultar a informação em condições para isso necessárias”. Revestem-se de grande importância os ensinos clínicos de enfermagem e as Escolas Superiores de Enfermagem, com as instituições prestadoras de cuidados de saúde, têm grande responsabilidade em facilitar aos estudantes o desenvolvimento de capacidades para a prática de enfermagem, pois o ensino clínico “permite aconsciencialização gradual dos diferentes papéis que o enfermeiro é chamado a desenvolver e das competências requeridas para o seu desempenho” (Matos, 1997:9). É integrados na equipa de enfermagem que os alunos estabelecem relações mais equitativas e próximas entre os enfermeiros do exercício, aprendendo com eles a “enfermagem prática” e a facilitar a inserção futura no mundo do trabalho através das regrasde funcionamento da organização. A par desta dimensão de socialização há outras competências adquiridas em contexto de trabalho: o trabalho em equipa, a organização individual do trabalho, as relações interpessoais, a partilha de responsabilidades, aprender a aprender com as novas situações, a comunicação e a decisão individual ou em grupo perante situações novas. Só com plena interacção entre oindivíduo, a formação e o contexto de trabalho os processos formativos desenvolvem capacidades de resolução de problemas e de pensamento criativo.



Prof. Doutor em Ciências da Educação, Presidente do Conselho Directivo da Escola Superior de Enfermagem de Viseu, ISPV ∗∗ Professora-Coordenadora da Escola Superior de Enfermagem de Viseu, ISPV, Mestre em Ciências de Enfermagem, Doutoranda emBioética

escola superior de enfermagem de viseu - 30 anos A situação de trabalho, pela sua complexidade e pela mobilização de competências múltiplas que exige, pressupõe a interacção de uma pessoa ou grupo e comporta, por isso, um potencial formativo. No entanto, como diz Courtois (1992:97), “… Não é suficiente que a situação possua um potencial formativo. É preciso, também, que a interacção daspessoas com esta situação faça sentido para elas". Para o sucesso desta pedagogia, Tomé (1992) refere que é necessária a exploração recíproca das competências adquiridas nos diferentes espaços de formação e devem criar-se e formalizar-se condições de interactividade, sensibilizando os diferentes actores para a consciência das responsabilidades e dos seus papéis complementares, em função dosobjectivos e das estratégias escolhidas. Para isso, como diz Correia (1995), as escolas devem relacionar-se com os contextos de trabalho e os sistemas de formação serem cada vez mais permeáveis à lógica do trabalho para que os contextos de trabalho se tornem qualificantes. A articulação entre os dois locais de formação (escola e trabalho) deve realizar-se através de processos de informação e avaliaçãoconstantes, resultando um processo de influência mútua, em que a teoria tem repercussões na prática e as práticas influenciam e actualizam o processo de ensino/aprendizagem. A competência só existe quando é aplicada, quer isto dizer que o local da aplicação intervém na produção de competências e significa que a produção de competências não cabe só à escola, mas também ao local de trabalho. Para...
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